Beijaço contra homofobia: respeito à diversidade sexual com ações efetivas na escola

182102_327732010653022_1840891677_nBelo Horizonte verá nessa sexta-feira, dia 17 de maio, dia de combate à homofobia, na Praça da Liberdade o Beijaço Contra a Homofobia. O evento é promovido por estudantes de 18h30 às 19h10 e é um  dos desdobramentos da campanha contra o preconceito, que começou no Centro Universitário Una.

O 17 de maio foi escolhido como dia internacional de combate à homofobia porque nessa mesma data, em 1990, a Assembleia Mundial da Saúde, o principal órgão controlador da Organização Mundial da Saúde (OMS), retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID).

Tudo Bem Ser Diferente convidou o professor Roberto Alves Reis, 38 anos, coordenador do projeto de Extensão UNA-se contra a Homofobia, membro do GLOS-UNA (Grupo Universitário pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero da UNA ) e colaborador do NUH/UFMG (Núcleo de Direitos Humanos e cidadania LGBT da UFMG), para um bate-papo sobre as iniciativas do Una-se.

Como surgiu a ideia do Una-se contra a homofobia?

A ideia de se criar um projeto de Extensão que discutisse direitos humanos, diversidade sexual e homofobia surge a partir de palestras que já promovíamos aqui na UNA voltadas para professores da rede municipal de ensino.  Para as palestras, convidávamos um especialista no assunto, o Daniel Arruda, então coordenador –executivo do projeto Educação sem Homofobia  promovido pelo Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG (NUH/UFMG). Chegamos à conclusão de que deveríamos levar essa reflexão para o nosso ambiente acadêmico. Participamos de um edital, a instituição abraçou a ideia e o projeto tem início no primeiro semestre de 2011.

Em um primeiro momento, o projeto chamava-se “Una é saúde sem Homofobia”. O objetivo era produzir uma série de oficinas interativas voltadas para estudantes do campus Saúde do Centro Universitário Una. Desde o início, estávamos preocupados em proporcionar para nossos alunos uma formação cidadã em que os direitos humanos e os direitos LGBTs fossem considerados fundamentais.  Divulgamos na internet e foi um sucesso! Cada palestra tinha 40 vagas, mas chegamos a 80 inscrições para alguns! Ficamos felizes ao constatar que havia um interesse das pessoas para a temática. Os pedidos vinham de estudantes, mas também de profissionais. Desde  o início, mantivemos uma rica parceria com o NUH/UFMG e com o GUDD!
Quais são os objetivos do Una-se?

Promover o debate e a reflexão sobre direitos humanos e direitos LBGTs com foco na formação cidadã dos futuros profissionais.

foto para site-1Pequeno histórico das principais ações realizadas pelo Una-se…

No primeiro semestre de 2012, em maio, fizemos o Mês  da Diversidade na Casa UNA de Cultura. (http://www.casauna.com.br/2012/05/04/diversidades/ Realizamos uma exposição de fotos e vídeo sobre travestis e transexuais.  Uma palestra com o João Nery (http://www.casauna.com.br/2012/05/04/lancamento-de-livro-e-bate-papo-com-o-autor-viagem-solitaria-memorias-de-um-transexual-trinta-anos-depois-de-joao-w-nery-transhomem/) e mesas redondas que discutiam o tema da diversidade sexual sob diferentes ângulos, moda, cinema, publicidade, TV, movimentos sociais, jornalismo.  Escolhemos maio devido ao dia 17, Dia Mundial da Luta Contra a Homofobia.

No segundo semestre, tivemos duas ações. A inédita Mostra Todxs Diversxs, com exibição de filmes sobre a temática LGBT, que ocupou vários espaços de BH, por  exemplo, o Cine Humberto Mauro, o Espaço Tim UFMG, na praça da Liberdade, o então Centro de Cultura de BH, e a Casa UNA. Levamos a mostra para Contagem também.  Outra ação que fizemos foi uma parceria com o curso de Pedagogia da UNA. Assim, a Semana de Pedagogia de 2012 teve como tema principal “Educação sem Homofobia”. Em parceria com o NUH, trouxemos do Mato Grosso a professora transexual Adriana Salles para dar uma palestra  para os alunos de Pedagogia.  Participou da palestra o professor Marco Aurélio Máximo Prado, coordenador-geral do NUH e professor de Psicologia da UFMG. Diversas oficinas foram oferecidas também discutindo o tema  da homofobia na Educação e a necessidade do professor ou da professora estar atento a esta realidade. Uma das oficinais foi conduzida pela  professora Marina Reidel, presidente do  Rede TransEduc, de Professoras Transexuais de todo o Brasil.

beijo barrigaO Una-se limita-se à discussão dentro da universidade ou consegue extrapolar os limites do ambiente acadêmico?

Pela própria especificidade de ser um projeto de Extensão, o UNA-SE busca sempre dialogar com outros atores sociais: a mostra de cinema, por exemplo, atraiu um público diverso. As oficinas voltadas para profissionais e estudantes da saúde também.

Qual a receptividade do Una-se dentro e fora da universidade?

Muito boa. Somos encorajados a promover ações que reforcem o respeito aos direitos LGBTS, entendidos como direitos humanos.  Para se ter uma ideia, a campanha “Beijos contra Intolerância” começa por uma iniciativa do coordenador do curso de Cinema da UNA, Júlio Pessoa.  A campanha repercutiu muito bem. Hoje estamos articulando ações junto ao Centro de Referência LGBT de BH, começando um diálogo que, tenho certeza, renderá bons frutos.

Quais os principais desafios do movimento de combate à homofobia?

Quando falamos de homofobia, estamos falando de violência, seja de violência verbal, seja de violência física, seja da violência explícita, seja da velada.  Talvez, algumas pessoas não têm consciência do sofrimento que causam quando fazem comentários preconceituosos, brincadeiras, insinuações.  Nesse caso, precisamos conversar, dialogar, mostrar que, em um ambiente democrático, isso não cabe.  Precisamos  construir espaços plurais, é isso que nos enriquece como seres humanos.  A diferença nos fortelece e nos torna mais humanos. Robô é que é tudo igual, não acha? Infelizmente, há aqueles que acreditam que discurso de ódio é liberdade de expressão. Não é. Discurso de ódio é discurso de ódio, opressão. Não vejo a fala de um neonazista como liberdade de expressão (a representação da suástica, por exemplo, é proibida por lei). Vejo que alguns líderes religiosos têm adotado um tom agressivo e desejam suprimir direitos conquistados a duras penas pelos LGBTS e impedir que outros venham à tona. Para mim, a campanha “Beijos contra a Intolerância” traz uma bela resposta. No lugar do ódio, o nosso afeto.  A campanha poderia se chamar também “Beijos pelo respeito à diferença”. Respeito é a ideia chave.

941144_331094067017440_116893564_nO Una-se usa muito as redes sociais para ampliar o movimento? De que maneira?

Sim. O perfil fazia uma espécie de clipping de assuntos relacionados à temática LGBT. A primeira sessão de fotos nos levou a criar uma página. Na primeira semana, a repercussão foi de 90 mil pessoas.

Vocês utilizam algum tipo de conteúdo e/ou de linguagem especial para conscientizar a população ou desmistificar a temática da homofobia?

A ideia sempre é conscientizar que os direitos LBTs são direitos humanos e que a pluralidade é a essência da democracia.
Informações sobre o Beijaço 

Outras informações sobre o Una-se contra a homofobia

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