Bola dentro da Fifa: pessoas com deficiência atendidas com dignidade na Copa das Confederações, por Geraldo Paiva Jr, Ser Diferente é normal

gj1O Brasil vivendo um grande momento histórico, o povo nas ruas novamente, lutando por seus direitos, cansado de tanta injustiça, corrupção, de ser passado para trás, jovens, famílias, idosos todos em prol de um bem comum.

Eu resolvi fazer o caminho inverso, claro que concordo com o movimento e gostaria também  de estar nas ruas, mas por motivos físicos não posso, e por ser um amante do futebol, sim gosto do esporte,  ele me ajudou muito nos momentos mais difíceis, sei que muitos não entendem,  mas já contei minha relação com esporte em outros textos.

Desde que saiu a pré-venda de ingressos para Copa das Confederações me animei logo em comprar, e depois queria ver  de perto um evento nos moldes internacionais em meu país, na minha cidade, comprei no primeiro lote para pessoas com mobilidade reduzida.

Fiquei feliz em ver que o evento tinha ingressos  e espaço reservados aos deficientes, mas isso não era tudo, queria ver se iam dar a infra-estrutura, como seria os próximos passos, e FIFA foi me surpreendendo,  no site foi informado que eu teria direito a acompanhante gratuito e ao lado apenas cadeirantes. Mesmo sem concordar, comprei o meu ingresso e o da minha esposa  à parte,  algum tempo depois a Fifa entrou em contato comigo informando que eu tinha à minha disposição um ingresso para acompanhante, em  caso de necessidade. Em outro telefonema me perguntaram se eu necessitava de credencial para estacionamento para deficientes.

Com tudo isso, fique entusiasmado em ir ao jogo e ver se tudo isso iria funcionar, e também em conhecer o novo Mineirão e saber se  eles tinham melhorado o acesso aos deficientes, que no antigo estádio, era complicado. Já passei muito “aperto” par ver meu time do coração jogar.

gj2Colei a credencial no vidro, juntei a turma e fomos rumo ao Mineirão, tudo bem que moro bem perto, mas 10 minutos já estava no estádio, pista exclusiva pra quem tinha credencial, estacionamento e carrinho, para levar até  a entrada do estádio,  fiquei  impressionado, nunca tinha sido bem tratado assim em outro eventos. Ao chegar ao estádio, fui cercados de voluntários: “precisa de ajuda senhor ?, podemos ajudar ?”  Apesar da caminhada até o local determinado ter sido um pouco longo, cheguei ao meu lugar sem problemas, muito tranqüilo, assisti ao jogo em um bom lugar com boa visibilidade, e na saída a mesma coisa, fui ajudado pela equipe de voluntários e pela policia militar e com menos de 30 minutos do fim da partida já estava em casa.

Feliz por ter visto os deficientes serem tratados com dignidade, feliz por ver jovens nas ruas se  manifestando pacificamente, embora alguns extrapolam, triste por não ser assim todos os dias, e saber que nos demais jogos no Mineirão não vai ser tão fácil assim, triste pela atitude repressiva do estado, e de saber que muitas cadeiras ao lado da minha estavam vazias por que muitos deficientes, não sabiam,  não foram informados dos ingressos e da acessibilidade para os jogos da Copa das Confederações.

*Geraldo Toledo de Paiva Junior, tem 32 anos, é jornalista, especialista em Marketing Político, Funcionário Publico, casado, caçula de quatro irmãos e feliz. Tem paralisia cerebral.

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