As potocas de um garoto de 7 anos: Pedro por ele mesmo

ÓculosNa virada de 2012 para 2013, nas minhas meditações para  o ano novo, vi um Pedro de 7 anos, “um menino quase grande”… mentalizei tanta energia positiva para o meu filho que, ao final, só soube resumir para a minha família: “Esse é o ano do Pedro”.

É claro que não tenho bola de cristal e tampouco super poderes (até que não seria nada mal) para garantir que aqueles flashes  passados rapidamente na minha mente se tornassem um enredo de um ano bacana e cheio de felicidade, com muitas conquistas.

E tenho comigo que as conquistas são fruto do esforço, do trabalho, da dedicação… algo cotidiano, que vai sendo assimilado de tal modo na nossa vida que nos escapa… vira rotina, sem, contudo, perder o prazer.

Um dos protagonistas desse blog é sempre apresentado pelo meu olhar. Mas nesse aniversário de sete anos – e como esse ano é o ano dele – decidi reunir uma série de frases, que vou anotando… Algumas amigas sugeriram e aí estão… as potocas do Pedro… ou Pedro por ele mesmo…

Agora mesmo, num sábado à noite, enquanto escrevo esse texto, ele chega de mansinho, se espreme entre a cama e o criado, chega bem pertinho, me dá um beijo, e lê o título deste texto: “Pedro por ele mesmo”… Sim, ele está lendo, depois de um longo e dedicado trabalho, depois de muito trabalho do próprio Pedro, dos professores da rede de apoio…

Mas não era Pedro por ele mesmo? Por que estou falando tanto assim? Por que é sobre Pedro… e Pedro traz felicidade, afinal, como disse o Dalai Lama, “a felicidade é um estado de espírito”. E esse estado de espírito a gente conquista, diariamente, muito mais nos detalhes do que nos grandes projetos, embora cada um tenha o seu lugar e o seu percentual na nossa felicidade. Pedro é um grande projeto e também um detalhe, o mais importante! Com vocês, Pedro por ele mesmo…

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“Papai, a Mônica tem um amigo super legal que é autista. Ele se chama André. O Cebolinha não entendeu o que é ser autista, mas é fácil entender e brincar com o André”, Pedro, 01.04

“Mãe, o William Bonner tinha uma esposa, né? Agora mudou, é outra esposa? Não é mais a Fátima?”, Pedro vendo o finalzinho do JN

peixe“A minha professora falou para colorir todos os cantinhos em branco, para cobrir tudo. Ela vai me ajudando e eu estou conseguindo”, comemorando o desenho e falando sobre a dificuldade para colorir dentro dos espaços

“Mãe, mas essa moça não sabe que não pode parar o carro no meio da rua atrapalhando os outros? Por que ela faz isso? Buzina aí e avisa para ela que está me atrapalhando ir para a escola”, Pedro, bravo com uma motorista que parou em fila dupla em uma rua estreita, pequena e sem saída

“Hoje eu fiz todas as atividades, eu consegui prestar atenção. A professora nem precisou chamar minha atenção”, junho de 2013.

“Mãe, mas por que eu tenho que brincar? Toda criança gosta de brincar? Você tem certeza disso? Às vezes a criança gosta de fazer outras coisas, conversar, ler… às vezes tem hora que gosta de brincar, mas tem hora que não”, Pedro filosofando sobre brincar ou não

“Mamãe, os desenhos que eu fiz no ano passado estão péssimos, não dá para entender nada”, ao folhear o livro da turma, com as ilustrações feitas pelos próprios alunos, junho de 2013.

“Mamãe, eu não dou conta de fazer todas as poses, às vezes meu joelho dói, e tem hora que eu desequilibro, mas eu adoro a yoga”, Pedro, 12.04.2013, logo ao acordar e cantar um dos mantras que aprendeu na aula de yoga, aliás, ele gosta de entoar o mantra ao acordar

“Mamãe é sério que o seu blog vai sair no jornal e eu também”?, Pedro ao ser comunicado sobre uma entrevista na qual falei sobre www.tudobemserdiferente.com

“Mamãe, os meus colegas estão horrorizados porque eu sai no jornal. Eles acharam tão diferente, tão diferente, e ficam só me perguntando se sou eu mesmo”, Pedro, 09.04.2013, morrendo de rir dos colegas e curtindo os 15 minutos de fama 🙂

Pedro responde as advinhas do pai, todas tinham que rimar com Marcelo, colega de sala… O que é usado para bater prego? Martelo; Instrumento musical? Violoncelo; Usado para trabalhar na grama? Rastelo; Construção antiga onde os soldados ficam? Castelo… acertou todas #fezbemparaautoestima

“Mamãe, pifarito ou piparito é um tipo de flauta? Ouvi a música do mestre André que fala essa palavra”, Pedro, 04.04, me deixando em saia justa – minha ignorância musical me obriga a buscar no mister Google

“Mamãe, estou com uma dúvida e quero te perguntar. Você acha que o Cebolinha ainda fala errado mesmo depois de se casar com a Mônica ou será que ele procurou um fonoaudiólogo”, Pedro, 03.04.2013, vendo a contracapa da revistinha da Turma da Mônica infantil, que fazia propaganda da revistinha para adolescentes

“Mamãe, eu posso cortar o cabelo de novo? É que eu gosto de cortar porque as meninas acham bonito e elogiam”, Pedro, todos os dias ao levantar desde a última vez que cortou o cabelo há uns 10 dias

“Mamãe, por que algumas vezes a gente fica desprotegido e fica doente? Será que é por que a gente não rezou direito?”, Pedro, 31.03.2013

“Mamãe, eu descobri porque eu acordo de madrugada e te chamo. É que eu fico pensando, eu aqui sozinho, no meu quarto, e se acontece alguma coisa… eu fico preocupado”, Pedro, 28.03.2012, quando ainda acordava de madrugada… há um mês mais ou menos ele dorme todas as noites

“Mamãe, a gente não pode falar errado, mas o locutor do rádio disse que ‘os orelhão’. Ele não tem que falar certo no rádio? Tudo bem, ele pediu perdão logo” (Pedro logo após ouvir o âncora de uma emissora se equivocar ao vivo)

“Mamãe, você me fala para dormir com os anjinhos, mas eles ficam lá no céu, né. Peraí, mas se ficam no céu estão mortos?”

“Mamãe, como a galinha consegue botar ovo?”, dúvidas do Pedro em domingo de tédio

“Mamãe, por que os mosquitos picam as pessoas e elas ficam doentes? Qual o objetivo? E ninguém faz nada?” Dúvidas do Pedro sobre a dengue da professora de francês

“Mamãe, chinelo cantou é bater? Uai, pai pode bater no filho porque aprendi essa música: Pisei na pedrinha, pedrinha rolou. Pisquei pro mocinho, mocinho gostou. Contei pra mamãe, mamãe nem ligou. Contei pro papai, chinelo cantou”, dúvidas matinais do Pedro…

“Mamãe, por que as calçadas de BH são tão irregulares, por que são cheias de ressaltos e por que estão sempre sujas de cocô?”, transcrição literal da observação do Pedro após caminharmos pelo bairro hoje

“Mãe, floco de neve tem gosto de gelo?”, Pedro literalmente provando flocos de neve, temperatura de 3 graus

“Mamãe, estou pensando aqui: atrasado escreve com S ou Z? Fiquei preocupado”, dúvidas iniciais sobre grafia… na sequência vieram muitas sobre S e Z, S e C, S, Ç e C, X e CH… “Mas mãe, por que inventaram as letras assim parecidas e a gente tem que ficar aprendendo qual é qual?”

“Mãe, o que é melhor dizer: marido e mulher ou esposa e esposo? Fico na dúvida em qual situação usar. O que você acha?”, dúvidas do Pedro

“Mãe, eu vi um cartaz na rua com o Patrus, a Dilma e o Lula. Mas o Lula tá muito diferente, tirou a barba e tá estranho. Quase não reconheci”, Pedro após andar por aí a pé nas eleições 2012…

“Mãe, se o lobo mau soprasse nosso prédio ele nunca iria conseguir derrubar, né… concreto é muito melhor do que a casa do Pedrito”, Pedro, pouco antes de dormir, e depois de ouvir pela milésima vez Os 3 porquinhos

“Mãe, a Chiquinha tem filho? Como assim? Ela é muito nova… Pode isso?” (Pedro após ver um especial do SBT sobre o Chaves; a atriz que interpretou a Chiquinha disse que o próprio filho de 3 anos assiste o Chaves na TV #deunónacabeçadomenino), 2012

“Mamãe, o Luiz Gonzaga fala ‘tu que anda pelo mundo; mas tá errado; é tudo que andas”, Pedro sobre a letra de “A todo mundo eu dou psiu”, que ele cansou de ouvir, se preparando para festa junina na escola em 2012 http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/47102/

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