Blogagem coletiva – o poder das mães #protestomaterno

#protestomaterno

#protestomaterno

“Seu filho não pode ser considerado uma pessoa com deficiência porque leva uma vida normal, por que você luta pela educação inclusiva?”

“Seu filho está muito bem, tantas mães por aí em situações muito piores e não fazem nada”…

“Você não precisa fazer isso, gasta tanto tempo com o blog e respondendo as mães… tudo de graça, poderia fazer outras coisas por você, para ganhar dinheiro”…

Ouço com muita frequência esse tipo de pergunta ou comentário tanto em tom de elogio e de admiração quanto de crítica desde que criei www.tudobemserdiferente.com e dedico muitas horas por dia a esse projeto, que é apenas uma sementinha  em busca de questionamentos e discussões sobre diversidade, deficiências e inclusão.

Essas pequenas iniciativas, a maioria capitaneadas por mães, espalham por aí um trabalho de formiguinha materna, um #protestomaterno diário, e não é coisa de ocasião ou oportunismo, por educação inclusiva. Certamente o debate sobre a educação inclusiva em um país carente de educação básica pode parecer luxo ou coisa de mãe aos olhos pouco atentos ou preconceituosos.

Mas não precisamos ir longe para entender um pouco desse movimento. Informação publicada pelo IBGE sobre o censo de 2010, e que pode ser conferida no final dessa postagem, revela que mais de 46 milhões de brasileiros declararam algum tipo de deficiência (mental, motora, visual e auditiva). Eles sofrem todo tipo de problema relacionado à educação, emprego e renda, deslocamento, transporte público, saúde, só para citar o que me parece parte essencial de uma vida com dignidade.

E por que as mães? São elas, ou somos nós, que nos deparamos com um mar cotidiano de limites públicos, de preconceitos sociais, de desigualdades gigantescas. Somos nós que sentimos por aí, em nome dos nossos filhos, junto com nossos filhos, por nossos filhos, tudo o não queremos, tudo o que precisamos e tudo no qual acreditamos.

Inegável é: o Brasil avança muito nos últimos anos no que diz respeito à educação inclusiva. Mas muito está por fazer. E que seja com a participação efetiva das mães. Afinal, qual mãe não quer um mundo melhor para o filho? Qual mãe não sonha com um mundo de respeito à diversidade e um mundo que inclua?

Tudo Bem Ser Diferente engrossa o coro das mães, que não são eternas, e não estarão aqui para sempre para cuidar dos seus filhos, mas que se preocupam em ajudar a construir um país mais amigável e melhor para as crianças.

Que o Brasil consiga escrever, com as mãos de milhares de pessoas, uma história diferente! E é bem assim: as mudanças começam com a utopia, acreditamos nelas, em paz, sem vandalismo.

Fonte IBGE:  “quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declarou possuir pelo menos uma das deficiências investigadas (mental, motora, visual e auditiva), a maioria, mulheres. Entre os idosos, aproximadamente 68% declararam possuir alguma das deficiências. Pretos e amarelos foram os grupos em que se verificaram maiores proporções de deficientes (27,1% para ambos). Em todos os grupos de cor ou raça, havia mais mulheres com deficiência, especialmente entre os pretos (23,5% dos homens e 30,9% das mulheres, uma diferença de 7,4 pontos percentuais). Em 2010, o Censo registrou, ainda, que as desigualdades permanecem em relação aos deficientes, que têm taxas de escolarização menores que a população sem nenhuma das deficiências investigadas. O mesmo ocorreu em relação à ocupação e ao rendimento. Todos esses números referem-se à soma dos três graus de severidade das deficiências investigados (alguma dificuldade, grande dificuldade, não consegue de modo algum).”

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