Uma goleada diferente, de cidadania, por Ricardo Albino, Sobre Rodas

bolaComeçou a Copa das Confederações de Futebol. O Brasil ganhou do Japão, mas, quem mostrou ao mundo que está de olhos bem abertos com aqueles que ainda pensam que estamos dormindo foi a torcida. Vaiamos não foi nossa seleção, nem a comissão técnica que inicia um novo trabalho rumo a mais um titulo dentro dos gramados. As vaias foram para um time convocado pelo povo e que, a cada dia, mostra não querer jogar em equipe ou em nosso favor.

Não temos nada contra a realização da Copa do Mundo no Brasil, afinal o futebol já é patrimônio cultural do brasileiro. Não, por acaso, somos chamados de a pátria de chuteiras. No entanto, o que vimos a partir do último sábado, 15/6, foi o inicio de uma goleada de cidadania. Pegamos nossas bandeiras, faixas, cornetas, instrumentos musicais e levantamos das cadeiras numeradas para colocar nosso bloco na rua.

Não importa a idade, a cor, a crença, nem a classe social. Há poucos dias, vi pela televisão uma propaganda dizendo que o Brasil será em 2014, também, o país da inclusão. Por que ainda não o é? A resposta pode ser encontrada no próprio futebol. A educação que deveria ser a capitã do time; o craque responsável por distribuir o jogo com qualidade e categoria no meio de campo ainda continua, como opção, no banco de reservas. O transito e o transporte ficam constantemente em impedimento, atrasando e muito a vitoria da mobilidade urbana. A melhoria da segurança não sai do zero a zero e a saúde, quase sem forças, não consegue sair da marca do pênalti para nos levar em direção a um gol de placa.

Por consequencia, lembrei-me de Cazuza e Renato Russo. O primeiro escreveu: “Brasil mostra a sua cara, quero ver quem paga para a gente ficar assim…” o segundo perguntava “que pais é esse”. Hoje, ainda que um pouco atrasado, posso dizer que somos, ao contrario do que muitos pensam um povo que enxerga, sente, escuta e fala, mesmo que de maneira diferente, manifestando pacificamente, sem bomba, agressões e baderna. Não acredito que um brasileiro que vai às ruas para manifestar sobre idéias e reivindicar direitos cometa vandalismo e destruição de patrimônio público ou privado. Com certeza, são atitudes de pessoas descomprometidas com a democracia.

Voltando às musicas de Renato Russo me lembro do final de Faroeste Caboclo, onde João Santo Cristo “… são queria falar com o Presidente pra ajudar toda essa gente que são faz sofrer”. O tempo passou e o som da vaia, o barulho de cada protesto, indica que essa gente ainda sofre vendo a corrupção querendo vencer a cidadania e o povo ganhando cartão vermelho, injustamente, no jogo da própria história. Como cantava Gonzaguinha, o que a gente quer, pode e precisa é: “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz…”

* Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente
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