Uma experiência familiar com a deficiência

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Homenagem a minha irmã Daniele, por Flávia Freitas*

Em 1985, quando minha irmã Daniele nasceu, eu tinha três anos de idade. A chegada da caçula completou o trio dos irmãos, com o primogênito Anderson e eu, Flávia, a do meio. Com os meus seis a sete anos de idade comecei  a reparar que minha irmã estava sempre no colo dos meus pais, sem entender direito na infância porque ela não andava.

Anos depois, recordo de acompanhar minha mãe nas idas com a Dani para as sessões de fisioterapia, lembro do tutor ortopédico e já mais crescidinha compreendi que minha irmã teve uma paralisia infantil causada por reações a vacina. Após passar por uma cirurgia nos pés, ainda na infância, ela começou a usar a muleta canadense, sua fiel companheira até os dias de hoje.

A relação dos imãos sempre foi de muito amor e carinho, claro, tínhamos os nossos “conflitos”, absolutamente normais no ambiente familiar, de vez em quando. A Dani era sempre a protegida por um dos lados. Durante a nossa criação nossos pais sempre nos ensinaram a respeitar a deficiência física da nossa irmã, reforçando que a restrição motora não era empecilho para que a Dani se desenvolvesse. Pelo contrário, meus pais nos mostraram o quanto minha irmã era capaz, numa demonstração diária e dedicada de incentivá-la e apoiá-la em todos os aspectos.

Nossa Dani é um exemplo de vida para nós, limitação é uma palavra que não faz parte do dicionário de vida da minha irmã. Pelo contrário, ela é hoje uma mulher fruto de uma infância feliz, com todo o suporte familiar necessário para o bem-estar e qualidade de vida. Quem conhece a Dani sabe o quanto é admirável sua beleza, simpatia, potencial, auto-estima – é guerreira. Aos 18 anos ela teve uma filha, cinco anos depois concluiu o curso superior de Engenharia de Alimentos conquistando o título de melhor aluna da turma, fez pós-graduação de Segurança no Trabalho,  tirou a carteira de habilitação para motoristas e atualmente é servidora pública e vai trabalhar todos os dias no carro adaptado dela.

O texto é uma homenagem a minha irmã incrível, que nos ensina diariamente que a limitação não acomete as pessoas com deficiência, limitação está na cabeça dos preconceituosos. A família é a base estrutural para o indíviduo, célula importante para a nossa educação, formação e valores. Agradeço aos meus pais pelos ensinamentos pautados no respeito às diversidades e por plantar em nossas vidas a importância do apoio aos direitos as pessoas com deficiência. Parabéns aos meus pais pela nossa criação e parabéns especial para a nossa Dani que completa 28 anos no próximo dia 24 de junho. Irmã, te amamos.

*Flávia Freitas é jornalista

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