Sobre o que manifestar? Papo de pai, por Carlos Wagner

Esses últimos 15 dias têm sido para muitos de nós quentes nesta temperatura amena. O motivo de calor não tem sido outro, se não as manifestações que tem tomado conta de todo o país. Medo de golpe, de perder o poder, medo de manifestante, de quem não se manifesta, medo de alguns bárbaros e de alguns policiais. Mas a esperança ainda parece vencer o medo!!!!

 

Aqui em casa fizemos uma pequena discussão com o João sobre o que ele tem ouvido nas conversas e nas imagens de televisão. Achamos isso necessário porque nossa proposta para domingo era ir ao “protesto brincante” com ele no último 23 de junho. Por força maior acabou que não foi possível ir.

 

Começamos o dia como normalmente fazemos, explicitando o que cada um quer fazer ao longo do dia, e na medida do possível colocando os horários para que isso possa acontecer. Imediatamente o João já disse que queria ir naquele negócio que a mãe dele tinha falado no sábado. Esse negócio era a manifestação. Tento aqui reproduzir um pouco do dialogo.

A)     O que é manifestação? Pergunta do João.

– Dissemos para ele que é uma forma que muitos coleguinhas juntos arrumam de dizer que concordam com algo ou não.

b) Vão falar mal da minha escola? Pergunta do João

– Filho se você tiver alguma coisa para falar sobre a sua escola, podemos marcar para conversar com a sua professora, mas na manifestação algumas pessoas pedem melhor escola, porque elas não têm ou acham que outras pessoas não têm. Você quer conversar com a sua professora?

– João: Não.

c) Filho, você tem alguma coisa que acontece no seu dia a dia que você gostaria de se manifestar contra?

– Papai, o ônibus que nem sempre funciona o elevador…. Poder falar mais? Sim, filho, pode. Do táxi que a gente estica a mão para ele e ele não pára.

 

d) Filho, você tem alguma coisa que acontece no seu dia a dia que você gostaria de se manifestar a favor?

– Papai, da escola e da escola de música.

Quatro coisas ficaram claras para mim depois desta conversa:

a)     Criança tem compreensão do mundo ao seu entorno, muitas vezes ainda não sabem expressar ou não são levadas a expressar essa compreensão;

b)     Podemos e devemos conversar com nossos filhos sobre o mundo que nos cerca e às ideologias que nos constroem. O problema não é o tema, mas a linguagem.

c)     O meu filho já entendeu sua condição de pessoa com deficiência;

d)     Ele já sabe o que é ser discriminado.

Abraço a todos.

* Carlos Wagner é graduado em Ciências Sociais e mestre em Sociologia. Ele também é pai do João. Assina a Coluna Papo de Pai, publicada toda quarta-feira em www.tudobemserdiferente.com

Anúncios