Literatura para nossos pequenos

Por Soraia Costa

Sempre falo que devemos estar atentos à qualidade e à quantidade daquilo

que oferecemos às crianças, sejam bens simbólicos como brinquedos, filmes,

músicas, livros etc, comidas ou demonstrações de afeto. Não podemos passar da

conta, mas confesso que chego a exagerar nos beijos e abraços; quase sufoco meu

filho dizendo que ele é o menino mais lindo do mundo, até que ele diz “pala isso

(para com isso), mamãe”.

Nos outros quesitos acho que sou bem comportada; especialmente no que se refere a

brinquedos, cuido para que ele não tenha demais. Já escrevi neste blog

sobre os cuidados que temos com a alimentação do Caíque, meu filho de oito

anos, que tem síndrome de down, já falei também de filmes, programas de TV e

DVDs; hoje vou falar um pouco de literatura infantil.

 

Há uma enorme oferta de livros para crianças, porém nem todos contribuem

para fazer delas pessoas melhores. Ao comprar livros, é bom ter uma boa

referência do autor ou gastar alguns minutos lendo antes de oferecer a

leitura para a criança. Sempre leio e avalio a qualidade do livro antes de lê-lo para

meu filho.

 

Quando Caíque tinha um ano, comprei um livro de que ele ainda gosta. O

texto conta a história de uma toupeira que, querendo ser monstro, sobe

em uma pedra para ficar grande e urrar bem alto. A toupeira cai da pedra, se

machuca e ainda fica com a garganta dolorida; então ela volta a brincar com

os amigos e descobre que é muito bom a gente ser o que é. Um livro delicado e

encantador. Temos o livro em espanhol: “Max, el topo que queria ser monstruo”, de

Karen Wallace.

 

“Sei que a criança aprende a escrever lendo. Por isso sou cuidadosa com a

linguagem”, afirma a autora mineira Therezinha Casasanta. Só posso concordar e

dizer que meu filho adora todos os livros dela. Eles sempre têm uma lição bacana

para as crianças, exposta de forma delicada e afetuosa, com desenhos super

coloridos de Gaiola.

 

Outro livro que Caíque adora é “Morcegos na biblioteca”, muito bem escrito e

ilustrado por Brian Lies. O texto fala do prazer da leitura. Um bando de morcegos

invade uma biblioteca à noite para se deliciar com livros sobre os mais

diversos assuntos. Em certo momento, um dos morcegos diz: “nos livros viramos

heróis, cavaleiros e o que a imaginação permitir”.

 

Gosto muito de biografias e meu filho também adora os livros que contam um

pouco da vida de artistas plásticos conhecidos, como Picasso e Frida Kahlo. O

livro da Frida é uma obra de arte, escrito por Jonah Winter com ilustrações de Ana

Juan, uma verdadeira artista. O livro que temos do Picasso, elaborado por Tony

Hart e Susan Hellard, faz parte de uma coleção intitulada “Crianças Famosas”.

Outros dois livros que eu e Caíque adoramos propõem um pensamento sobre

as interpretações das imagens que vemos. Uma imagem pode desencadear

diferentes significados e expectativas. Um deles se chama “Pato! Coelho!”; escrito

por Amy Krouse Rosenthal e ilustrado por Tom Lichtenheld que criativamente

desenha uma figura que pode ser vista como um pato ou como um coelho. O livro

faz pensar sobre as diversas maneiras de perceber. “Sabe, talvez você estivesse certo.

Talvez fosse mesmo um coelho.” “Que coisa, agora sou eu que estou achando que era

um pato”.

 

O outro chama-se “Zoom”, de Istvan Banyai, um  livro provocante, sem palavras,

composto somente por ilustrações, que pode ser “lido” tanto de trás para frente como

de frente para trás. As ilustrações dão a ilusão de que o leitor vai se afastando das

cenas de cada página. É uma aventura, cada imagem desconstrói a expectativa

criada pela imagem anterior. Esse livro agrada adultos e crianças, eu o comprei

quando era professora em cursos de Comunicação Social, para analisá-lo com os

alunos, muito  tempo antes de me tornar mãe. É possível encontrar a versão virtual

dele na internet.

 

Dos livros citados aqui, dois são da editora Cosac Naify: “Frida” e “Pato! Coelho!”.

Recomendo pesquisar os livros infantis desta editora especializada em livros de arte

e cultura.

 

Ler é maravilhoso. Reproduzo brevemente uma história curiosa. Um adolescente

que aprendeu a ler com 16 anos ficou maravilhado com o que a imaginação

permitia através da leitura e resolveu criar uma biblioteca no açougue em que

trabalhava em Brasília. Os clientes doavam os livros, que eram emprestados a

outros clientes, o que possibilitava a democratização da leitura. Deu tão certo

que o lugar se transformou num ponto de cultura e o universo cultural se

expandiu para além da biblioteca com a realização de shows.

 

Não me esqueço dos livros que li quando era criança, do prazer em aprender a

ler e escrever e da adorável professora que me alfabetizou – Dona Lourdinha.

Caíque está começando a descobrir as letras e sempre pergunto a ele: “Quando

você aprender a ler, você vai ler para a mamãe?”. E ele responde: “Sim”.

 

Soraia Costa, jornalista, funcionária pública, mãe do Caíque, 7 anos. Mãe diferente, que faz a diferença…

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