Mães do Amazonas reivindicam construção de centro de reabilitação

img_6988copiaFonte G1

No AM, mães protestam por direitos de filhos com necessidades especiais
Entre as reivindicações está a construção de um centro de reabilitação.
Manifestação ocorreu na Avenida Brasil, na Zona Oeste de Manaus.
Adneison Severiano
Do G1 AM

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Mães cobram tratamento digno para filhos com necessidades especiais, em Manaus (Foto: Adneison Severiano G1/AM)
Um grupo de mães de pessoas com necessidades especiais realizou uma passeata pacífica na Avenida Brasil, Bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus, na tarde deste sábado (6). Elas reivindicaram a construção de um centro de reabilitação, cadeiras de rodas, oferta de neuropediatras e aprovação de auxílio exclusivo sem necessidade de declaração de pobreza.
Cerca de 20 pessoas, entre mulheres e crianças, participam do protesto, que começou em frente à Prefeitura de Manaus e seguiu até a sede do Governo do Amazonas, situada na mesma avenida.
Ariana Gomes, que é uma das líderes do movimento, informou que entrou em contato com o vice-governador do Amazonas, José Melo, para solicitar apoio do estado. “Ele disse que não poderia participar da manifestação, mas que deveríamos enviar nossas reivindicações ao governo na próxima terça-feira (9)”, disse.
Segundo a líder, que é mãe de um menino de quatro anos de idade com paralisia cerebral, o grupo resolveu protestar no sábado para não interromper o tratamento dos filhos, que acontece durante a semana.

img_6968copiaJovem viaja com filho até três vezes por ano de Manaus à São Luís para conseguir tratamento adequado (Foto: Adneison Severiano G1/AM)
A dona de casa, Jeane da Silva Santos, é mãe do Jadilson Santos da Silva, de 10 anos. Ela relatou que, em Manaus, “é praticamente impossível” conseguir tratamento com Neuropediatra para o filho que tem paralisia cerebral. “Se eu marcar hoje, provavelmente, ele vai ser atendido só no ano que vem”, desabafou.
Jeane também relatou que faltam fonoaudiólogos tanto na rede municipal de saúde como na estadual. Ela conseguiu levar o filho a um especialista com a ajuda da Fundação de Apoio às Instituições de Proteção da Pessoa com deficiência (Fada).
Com as dificuldades para conseguir tratamento adequado no Amazonas, Jeane Santos decidiu ir para fora do estado. Há mais de sete anos, ela viaja com o filho, duas ou três vezes por ano, para São Luís no Maranhão. Na capital maranhense, a jovem encontrou tratamento pela Rede SARAH de Hospitais de Reabilitação, que possibilitou avanços significativos.
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“Lá, o tratamento é completo e multidisciplinar, dispõe de equipamentos adaptados e adequados, uma realidade diferente de Manaus. Antes arcava com os custos da viagem, mas recentemente consegui auxílio para custeio da viagem pelo Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD), do governo do Amazonas. Porém, é muito difícil a inclusão no programa, porque é preciso um laudo médico atestando a necessidade de tratamento fora e muitos médicos se negam a dar”, revelou Jeane.
A dona de casa, Daniele Gama Pessoa, também enfrenta problemas para garantir a saúde do filho Iago Victor Gama, de dois anos. Com paralisia cerebral, a criança se alimenta somente por uma sonda localizada na barriga. Porém, sem um dispositivo chamado ‘Botton para gastrostomia’, o garoto sofre com a movimentação da sonda.
“Sem o Botton a sonda incomoda, machuca e o Iago chega a passar mal. Já procurei a Susam [Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas] e fui informada que não há esse dispositivo na rede estadual. Terei que entrar com uma liminar para conseguir através da justiça. Estou aguardando o laudo do cirurgião para ingressar com ação contra o estado”, enfatizou Daniele Gama.
O G1 entrou em contato com assessoria de comunicação da Susam para comentar a denúncia, mas em nenhuma das tentativas a equipe de reportagem obteve êxito.

img_6959copiaFamiliares relatam dificuldades para reabilitação das crianças com necessidades especiais no Amazonas (Foto: Adneison Severiano G1/AM)
Além dos problemas com assistência na área de reabilitação e saúde, o grupo de mães manifestantes denuncia as fragilidades no suporte educacional para crianças com necessidades especiais no Amazonas.
“Em Manaus, há escolas com acessibilidade e rampas, mas não há preparação dos professores e material necessário para a inclusão educacional. Não temos professores para atender as crianças e muitas vezes as escolas recusam as crianças com necessidades especiais por este motivo. Do que adianta ter rampas de acessibilidade física e não ter professores para atender dignamente para às crianças? Tem dinheiro para a Copa e não tem para oferecer tratamento digno”, reclamou Jeane Santos.

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