Quando a falta de respeito e o preconceito batem na nossa porta, blogagem coletiva #infânciasempreconceitos

Por Sônia Pessoa

Infelizmente as famílias só se dão conta do mundo preconceituoso e desrespeitoso com as crianças (na verdade, com as minorias) quando elas próprias enfrentam alguma situação de conflito. Todos os dias recebo inúmeros contatos de mães que enfrentam todo tipo de problema relacionado à falta de respeito com seus filhos. Muitas sentem vergonha ou receio de divulgar os casos de preconceito e de falta de respeito porque pensam que vão prejudicar os próprios filhos.

A maioria dos casos de preconceito acontece no ambiente escolar porque é ali onde as crianças, com referências diversas, se encontram. E porque ali também estão pessoas com poder de decisão sobre condutas e atitudes a serem adotadas com relação às crianças. Nos últimos dias, por exemplo, uma mãe denunciou que uma escola não permitiu que ela acompanhasse a filha, que tem diabetes, em uma excursão da escola. A criança, de sete anos, precisa receber insulina durante o dia. A criança, então, teria sido impedida de participar da excursão.

É importante quando uma mãe fala sobre os problemas. Esse é apenas um exemplo e não é dos mais piores, embora seja gravíssimo. Diariamente as mães de crianças com deficiência se vêem diante de grandes desafios semelhantes. Por exemplo, a escola está disposta a levar uma criança cadeirante a uma excursão? Uma criança com paralisia cerebral, que precisa de ajuda para se locomover, será levada ao zoológico junto com a turma ou vai, como muitos pensam, atrapalhar o ritmo do deslocamento do grupo? Uma criança cega será levada ao museu ou dará muito trabalho, como muitos pensam, porque precisará de alguém para ler as legendas das obras de arte? Estou mencionando apenas alguns exemplos, relacionados às práticas diárias de passeios e excursões, para ficar no campo que motivou a blogagem coletiva organizada pelos blogs Na Pracinha e Padecendo no Paraíso. Nem vou entrar aqui no mérito se a escola vai aceitar ou não a matrícula da criança com deficiência ou com algum distúrbio de aprendizagem ou até mesmo de concentração ou de coordenação motora… ou com alguma doença como a diabetes, que não é considerada deficiência, mas que pode, igualmente, levar a casos de discriminação.

Mas podemos ir além e pensar em práticas cotidianas, que as próprias famílias vão adquirindo e perpetuando por aí. Já pensou que as crianças com deficiência são menos convidadas que as demais para passar o dia na casa do coleguinha? Já pensou que as famílias, muitas vezes, nunca pensaram em apresentar “amigos diferentes” aos seus filhos? A Turma da Mônica, por exemplo, tem vários personagens com deficiência… tem autismo, deficiência visual, síndrome de down, cadeirante… Você já comprou alguma revistinha para o seu filho com essa temática? Já pensou em passar para ele o video da Turma da Mônica sobre autismo? Muitas pessoas acham que o video tem estereótipos, mas é um ponto de partida para as crianças tentarem entender… Clique aqui para conhecer o video. 

tbsfJá leu para o seu filho o livro Tudo Bem Ser Diferente, do Todd Parr? Nele, o autor apresenta a diversidade, típica do ser humano, a diferença que está em nossas vidas permanentemente, independente de ser uma deficiência. A diferença pela cor, pelo sexo, pela orientação sexual, por pequenos distúrbios, por comportamentos, por pais adotivos, por pais homossexuais e por uma infinidade de coisas que simplesmente constituem a nossa vida.

Já pensou em bater um papo com os seus filhos sobre casamento gay e sobre crianças que têm dois pais ou duas mães, de maneira natural, sem juízos de valor e sem preconceito. Tivemos essa experiência aqui em casa. Se quiser conferir, está aqui… não é nenhuma receita de bolo… mas parece que funcionou para introduzir o tema. 

Já pensou quantas vezes você olhou espantado para uma criança que usa muletas, andadores ou cadeiras de roda? Já pensou nas dezenas de mães que reclamam quando uma criança que tem distúrbio de comportamento chora, grita ou “faz um escândalo” em um restaurante? Já pensou quantas vezes a minha amiga que adotou uma criança teve que responder que “não pegou filho dos outros para criar” porque a filha é negra?

Já pensou quantas vezes eu tive que responder que não havia deixado o meu filho cair da cômoda porque ele ainda estava carequinha e cheio de cicatrizes por causa das várias cirurgias que fez no cérebro? (Se quiser conhecer a nossa história, clique aqui) Já pensou quantas precisei explicar, diante de olhos arregalados, que o meu filho prefere a cama elástica sozinho porque desequilibra quando pula com outras crianças? Já pensou quantas vezes precisei explicar ao vendedor na loja que meu filho, aos sete anos, prefere calças de elástico porque não dá conta de abrir e fechar botões? E que prefere tênis de velcro porque lidar com os cadarços é um grande e dificílimo desafio, ainda não dominado? Nada disso teria problema, não fosse o olhar de piedade, de espanto, de estranhamento ou de desdém que a maioria dispensa a esses temas. E as comparações, sempre relacionadas à idade e ao tamanho. E quantas vezes amigas, vizinhas e conhecidas se esquivam do tema simplesmente por não saber lidar com a diferença?

Pensando nessa situação, o blog Tudo Bem Ser Diferente tem uma campanha permanente de Respeito à Diferença. E nosso lema principal é: “Respeito à diferença começa em casa, frequenta a escola e vive em sociedade. Respeite e ensine as crianças a respeitar”. Se você acredita nisso e defende o respeito à criança e à diferença da criança, pode nos ajudar a divulgar. Basta clicar aqui para ver as imagens e o texto da campanha. 

E parabéns aos dois blogs que lançaram a campanha… como costumo dizer, trabalhar a favor do respeito e contra o preconceito é algo mesmo para formiguinhas, devagar e sempre, de maneira initerrupta… e começa por cada um de nós, independentemente de ter sofrido preconceito ou não…

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