Beleza que se sente, Ser diferente é fashion, por Mariana Silva

Constanza Pascolato, uma das mulheres mais elegantes e inteligentes que o Brasil já viu, certa vez disse essa frase: “saia arrumado de casa. É uma questão de cortesia”. Li o ensinamento em uma revista enquanto esperava uma consulta médica e fiquei pensando que essas palavras eram muito verdadeiras.

Se você enfrenta o mundo com o cabelo bagunçado, parecendo que um caminhão de atropelou, as pessoas vão pensar que sua vida é horrível e que você é incapaz. Não é futilidade, tão pouco coisa de quem não tem o que fazer. Nossa imagem diz muito sobre quem somos e onde queremos chegar.

Sempre tive esse pensamento em mente porque gosto de me ver bonita, apesar de não enxergar perfeitamente. E, depois de conhecer a história da baiana Margareth Rios entendi que ter visão perfeita não é fundamental para nos sentirmos bonitas e de bem com a vida. A beleza deve vir do coração.

Maga, apelido dado pelas amigas, contou ao portal de notícias G1 que ficou cega na adolescência após ser vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) que aconteceu após uma dor de cabeça forte. Hoje, aos 23 anos, a garota leva uma vida agitada, sempre estudando e se arrumando.

“Não abandonei minha vaidade, minha alegria, nada por conta da cegueira. As pessoas na rua me olham bastante, porque eu ando muito arrumada. Quando vou tomar uma cervejinha, coloco um shortinho, um salto, até porque eu amo um salto, me sinto ‘a própria’ no salto”, conta.

Para ela, essa postura positiva ás vezes gera preconceito, “as pessoas acham que o cego tem que usar uma sandalinha rasteira, uma roupinha simples; se você estiver ‘chique’ as pessoas não acham que você é cega. Muitas acham que a pessoa cega tem que andar suja, fedendo, mal arrumada. Acho que as pessoas estão acostumadas com isso, porque tem cego que não liga”.

Para se sentir bem, Margareth usa maquiagem, escolhe suas roupas pelo toque e não sai de casa desarrumada, “quem não enxerga sou eu, mas as pessoas me veem”, brinca.

Apesar de reconhecer a importância das roupas e da maquiagem na construção de um visual, Maga acredita que a beleza e a vaidade são posturas e devem vir do coração, “vem de dentro, é uma postura mesmo. Não é porque hoje eu sou cega que vou deixar minha vaidade, o que eu sou. Eu gosto que as pessoas vejam isso em mim. Eu amo quando as pessoas me elogiam”, conta. Então faça como Maga, se arrume, se faça bonito. Você ganhará muitos elogios também!

Texto inspirado em matéria publicada em O Globo… 

*Mariana Silva (Idealizadora do Blog http://naoesobremoda.wordpress.com, é colaboradora de http://www.tudobemserdiferente.com. Jornalista, 24 anos, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para ela, moda é uma futilidade necessária e um fenômeno sociológico interessantíssimo; “o legal é quando fazemos a moda trabalhar a nosso favor, ficar dependente dela não faz bem”). Tem displasia Óssea, síndrome que afeta o crescimento e a resistência dos ossos de todo o corpo. Escreve Ser diferente é fashion para http://www.tudobemserdiferente.com toda quinta-feira. 
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