Se quer a paz, lute pela vida! Mamãe Down Up, por Ana Flávia Jacques

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Eu sempre tive a ideia de escrever a nossa história em um blog e, quem sabe, até em um livro. Assunto é que não falta. O objetivo é principalmente tentar ajudar outras famílias que passam por situações parecidas, e também contribuir para que sejam quebrados velhos estereótipos e conceitos, que acompanham desde sempre quem tem algum tipo de deficiência.

Mas a correria da vida ainda não me permitiu juntar todas as ideias e mensagens que quero passar em um espaço que eu precise atualizar sempre, assim como a Sônia Pessoa cuida deste blog “Tudo Bem Ser Diferente”, com todo o carinho e dedicação. Foi assim que surgiu a ideia de fazer um trabalho de formiguinha por aqui: a coluna “Mãe Down/Up”.

Relutei um pouco em abrir a intimidade de minha família, mas percebi que isso não é exposição exacerbada. A história que conto aqui é real, de amor, fé e superação, que pretende ser o início de um trabalho muito maior de conscientização, inclusão social, educação e respeito ao próximo. O começo de uma batalha para que sejam dadas oportunidades a todas as pessoas, independentemente de qualquer deficiência, seja física, intelectual ou de qualquer outro tipo.

E que todos sejam vistos como seres únicos, com limitações e habilidades. Afinal, somos todos seres humanos. Se torna meu dever servir como ferramenta de divulgação de informações verdadeiras acerca do tema que me trouxe a este blog: a Síndrome de Down (SD).

Eu gosto de falar sobre a minha filha, mas ela não se resume à alteração genética. Ela é muito mais do que isso! A Maria Fernanda é o meu potinho de ouro, uma injeção diária de felicidade, a tradução mais perfeita da palavra amor. É divina, é estrela, é luz, é vida.

E vida é exatamente a palavra que mais vinha a minha cabeça quando todos os diagnósticos me foram apresentados na gestação. Tudo parecia indicar que a passagem da Maria por aqui seria breve mesmo.

Com tudo que estava acontecendo, meu chão se abriu e cai em um profundo buraco, que parecia sem fim. Desde então tive que parar de trabalhar e mudar completamente a minha rotina, pois precisava de repouso, de calma e quanto menos estresse melhor.

Foi aí que passei por mais uma grande dificuldade. Com tanta turbulência, veio a sugestão para desistir de tudo, de que o sofrimento de nossa família seria menor se decidíssemos pela interrupção da gravidez. “Afinal, poderíamos ter outros filhos”, me disse uma tal “profissional” da Medicina, de voz que até hoje me faz arrepiar quando me lembro.

A repercussão aqui dentro do meu coração foi avassaladora. Vivi momentos de muita angústia, insônia, medo, frustração, tristeza até que, quando eu já estava no limite da sanidade, Deus interveio em um momento muito mágico.

Era um dia cinza, nublado, seco, vazio, mudo. Pus as mãos em minha barriga e senti o calor da vida. Senti minha princesa me chutar com toda sua energia, como quem queria dizer: “Ei mamãe! Estou aqui, estou viva e estou bem! Acredite em mim!” Naquele momento todos os sentimentos ruins cessaram e deram lugar a um amor indescritível, forte demais. O céu se abriu, literalmente, em um clarão brilhante, reconfortante. Senti um calor muito intenso e tive a certeza de que era Deus falando comigo.

A partir dali me tornei mãe da Maria Fernanda, do jeitinho que ela tivesse que vir, e não mais de uma fantasia, do filho idealizado. Me levantei, me refiz e pus tudo nas mãos do Papai do Céu. E prometi à minha pequena cereja que lhe daria a luz, e não a escuridão!

Confira nas próximas colunas como foi o parto, os primeiros meses de vida da Cerejinha e a cirurgia cardíaca.

Até breve!

 * Ana Flavia Jacques, jornalista e mãe de primeira viagem da Maria Fernanda, a Cerejinha Baby, uma linda e doce garotinha com síndrome de Down, escreve às terças-feiras, a cada 15 dias.

 

 

 

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