Música, um acorde para a inclusão, Sobre Rodas, por Ricardo Albino

O poder do som. Dizem que o brasileiro tem alma de artista. Nessa terra o som brota de qualquer coisa. A festa da música começa quando ainda somos bebê. Até o choro da madrugada, para quem gosta, parece um afinado acorde. Tem pai que tira som da mamadeira. Eu, por exemplo, era colocado para dormir ao som da música Saco de Feijão da cantora Beth Carvalho. Não, por acaso, me chamam sambista de cadeira. Se a música é o espelho da alma, dizem que o samba é o reflexo do meu sorriso. Fui crescendo e aumentando meu repertório. Devia ter dois ou três anos e toda semana ia para seresta. A última música do show era sempre o Brasileirinho, tocada em minha homenagem. Em casa, com o  irmão no  violão e a irmã no  teclado o jeito que encontrei para criar uma Banda foi me aventurar como cantor.

Os anos se passaram, a Banda desafinou, mas, ainda hoje não posso ver um instrumento musical ou uma roda de viola que dou logo um jeito de chegar perto.  Não tenho o talento de um Carlinhos Brown como percussionista, porém faço meu barulho no pandeiro, com duas colheres e nas rodas da minha cadeira. A música para muitas pessoas com deficiência é um instrumento poderoso de inclusão, independente do gênero musical, a união de letra e melodia recicla a alma e alegra o coração.

Falando em reciclagem, esta semana, vi na TV a orquestra dos reciclados criada em um lixão da capital do Paraguai. Os instrumentos são construídos pelos próprios músicos a partir de material até então descartado sob forma de lixo. O mais bonito da história é ver que da poeira é possível surgir o acorde da cidadania e da felicidade. É preciso citar também o maestro João Carlos Martins que apesar de sérias limitações nos dedos continua tocando piano e regendo sua baqueta. Mais um grande exemplo do poder da música na vida das pessoas e a prova de que limitação ou necessidades especiais não são sinônimos de incapacidade. Tem formas e maneiras diferentes de fazer o que gosta, tudo depende da vontade e da coragem de enfrentar e vencer desafios. A motivação do ser humano nasce de dentro para fora. Por isso, sigo cantando; onde houver uma boa música vou chegando e o ritmo da inclusão espalhando.

Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente
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Crédito fotos: Arquivo pessoal

 

 

 

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