Garoto com paralisia cerebral disputa medalha em olimpíada de matemática

DESAFIO – O estudante do 6º ano da E.M. Noêmia Salles Padovan estuda para conquistar medalha e menção honrosa na última fase da OBMEPAluno da Educação Inclusiva é aprovado para etapa final da Olimpíada de Matemática
Por Secretaria de Comunicação Social
comunicacao@itanhaem.sp.gov.br
Em Itanhaém, o aumento na inclusão cresce e já registra a inserção de mais de 350 alunos, disseminados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental

Arthur Gabriel dos Santos Dantas, de 11 anos, está bem próximo de realizar a última etapa da 9ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), marcada para o dia 14 de setembro. O aluno do 6º ano da Escola Municipal Noêmia Salles Padovan é o primeiro estudante de Itanhaém com paralisia cerebral a disputar medalha e menção honrosa na final da Olimpíada.

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Aluno da educação inclusiva, Arthur está matriculado na Rede Municipal de Ensino desde as séries iniciais. Diante das dúvidas sobre as equações aplicadas pela professora, o garoto desafia as barreiras com um sorriso estampado no rosto. A comunicação é transmitida na ponta dos dedos em curtas frases que ganham forma na tela do notebook.

A deficiência do aluno afeta a coordenação motora e impede que ele se locomova sozinho, mas sua capacidade intelectual é a mesma de uma criança de 11 anos idade. Em Itanhaém, o aumento na inclusão cresce e já registra a inserção de mais de 350 alunos, disseminados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

Arthur está entre os aprovados na Olimpíada espalhados por escolas municipais e estaduais da Cidade. Sendo o primeiro da inclusão com paralisia cerebral a conquistar a vaga, a família reconhece a responsabilidade. “Meu filho é muito inteligente. Sabemos que não é fácil, mas ele está aí para provar que nada é impossível, basta acreditar. O exemplo dele serve de incentivo aos demais alunos”, se emociona a mãe, Valéria dos Santos Silva, de 46 anos.

Na escola, o menino já tem uma torcida organizada. Amigos, professores e toda a equipe educacional da unidade acreditam que o aluno tem grandes chances de conquistar uma boa colocação na prova. “Ele é exemplo para os demais estudantes. É inteligente, engajado e adora estudar e não gosta de faltar à escola. Inclusive, quando tem consulta marcada e precisa sair mais cedo da unidade, ele fica nervoso”, explica a estagiária Marina Alves Coelho Ferreira, responsável por acompanhar o desempenho do estudante durante as aulas.

“Ele é um aluno interessado. Quando tem dúvidas, vem com a estagiária que o acompanha para esclarecer”, conta a professora substituta, Maria José dos Santos.

O aluno está sempre na companhia de Wesley M. Rodrigues, 11 anos, o amigo inseparável. “Quando ele tem dificuldade eu o ajudo, mas grande parte do dia ele não precisa. Ele é muito inteligente”. No intervalo das aulas, o passatempo predileto de Arthur é jogar damas e dominó. “Ele é bom com os números”. Mas adverte. “Eu também ganho as partidas”, brinca Wesley.

Embora seja bom com os números, o itanhaense já sabe o que vai querer para o futuro. Os mistérios e curiosidades que envolvem os planetas, as galáxias, o sistema solar e a lua ganham notoriedade na vida do garoto. “Quando chega da escola ele me relata pelo computador os acontecimentos durante as aulas. Mas, quando o assunto é astronomia, os olhos do meu filho brilham. Ele até balbucia algumas palavras. Só tenho a agradecer a todos da escola por acolherem meu filho com tanto carinho”, ressalta a mãe.

OBMEP – A olimpíada de nível nacional é dividida em duas fases. Os alunos que obtiverem uma melhor colocação são classificados para a segunda etapa no mês de setembro. A segunda fase consiste na aplicação de prova discursiva e terá duração de três horas. Para esta etapa, classificaram-se 5% dos alunos inscritos pela unidade escolar que conquistaram o melhor desempenho na primeira etapa.

A olimpíada premiará alunos, professores, escolas e secretarias de educação com medalhas de ouro, prata e bronze. A divulgação da lista dos premiados será feita pela direção da OBMEP em data a ser determinada.

O projeto estimula o estudo da matemática e revela talentos na área. E ainda, os medalhistas receberão uma bolsa de estudos oferecida pelo Programa de Iniciação Cientifica (PIC).

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