Professores entram com recursos contra trote na Faculdade de Direito da UFMG

Foto Trote UFMG Jornal Extra / Globo

Foto Trote UFMG Jornal Extra / Globo

A ausência de punição ao trote com elementos nazistas e racistas realizado no começo do ano na Faculdade de Direito da UFMG levou quatro professores da instituição a protestarem. Ontem, 15/07, o grupo entrou com recurso na congregação da Faculdade de Direito da UFMG contra a inoperância da diretora, que em vez de pedir punição para os líderes do trote, instaurou processo administrativo disciplinar contra quase 200 estudantes, muitos deles não envolvidos com o trote.

Formado pelas professoras Cláudia Mayorga (Psicologia), Marlise Matos (Ciência Política), Regina Helena Alves da Silva (História) e Leonardo Castriota (Arquitetura), o grupo identificou na ampliação exagerada do número de alunos incluídos no processo disciplinar uma maneira de, ao mesmo tempo, não agir diretamente contra os responsáveis por graves ofensas aos direitos humanos e atingir estudantes que, mesmo não envolvidos com o trote, têm enfrentado os posicionamentos da atual diretoria.

“Fomos duplamente atingidos pela decisão por sermos atuantes na área de direitos humanos e professores da UFMG. Decisões como estas indicam que a universidade não se sentiu parte lesa, e não interpretou o fato como um atentado à concepção de universidade”, explica Regina Helena Alves da Silva.  Para o grupo, quando uma unidade acadêmica da UFMG toma como brincadeiras de mal gosto ações de racismo e apologia ao nazismo, desconsidera os projetos relacionados aos direitos humanos em que seus professores estão envolvidos e desvaloriza tudo o que já foi produzido na universidade para combater estes dois crimes.

“Entramos com o recurso porque não podemos nos eximir da responsabilidade de tratarmos este caso de forma exemplar. As violações aos direitos humanos ocorridas em outros trotes ainda não se transformaram em um regulamento de convivência universitária”, explica Silva.

Prazo

Dia 15/07 era a data final para entrar com um recurso contra a decisão relativa ao trote do início do ano. Simbolicamente, o grupo escolheu quatro professores de fora da Faculdade de Direito para entrar com o recurso. Mas os envolvidos frisam que a decisão afeta a universidade como um todo e principalmente as áreas onde projetos mais relevantes de pesquisa e extensão relacionados a direitos e desigualdade social são desenvolvidos.

O grupo frisa que as atitudes que começou a tomar ontem, a partir do encaminhamento do recurso, significa que não ficará omisso com relação a crimes de racismo e apologia ao nazismo em nenhum lugar de nossa sociedade e principalmente dentro de nossa universidade.

Contato: Professora Regina Helena regina.helena@gmail.com.

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