Ela tem distrofia muscular progressiva e nos ensina que a beleza é um estado de espírito, Ser diferente é fashion, Marian Silva

A garota que tirava fotos

Algumas vezes acontece de o reflexo no espelho não ser suficiente para nos ajudar a entender que somos bonitos. Os elogios de nossas mães também não resolvem, sempre parecem suspeitos, digo convicta. E nem adianta ouvir da boca dos amigos sobre nossos encantos porque isso também não basta. Precisamos caminhar sozinhos até que essa busca acabe.

No fim dessa estrada longa, os frutos podem ser lindos. Prova disso é a história de minha amiga Fatine Oliveira, uma publicitária de 28 anos que, por gostar de moda e por gostar de si mesma, recentemente posou para um lindo ensaio fotográfico. As fotos de Ludimila Espanguer mostram uma mulher forte, inteligente e alegre.

Fatine tem distrofia muscular progressiva, “uso cadeira de rodas há 20 anos por ter comprometidas as forças musculares das pernas e braços”, explica. A ideia surgiu quando nossa modelo leu uma reportagem sobre uma cadeirante que também fez um ensaio fotográfico para mostrar ao mundo sua beleza. Juntou os amigos, chamou a irmã e encontrou a fotógrafa ideal.

De clique em clique, Fatine entendeu que beleza é um estado de espírito. O corpo é só casca se o espírito não for brilhante, “sabia que teria alguma dificuldade em me soltar, sou meio séria. As fotos na grama foram muito legais, me senti uma modelo. Agora, as sensuais… Rimos e nos divertimos muito! Adorei e fiquei com vontade de fazer outro ensaio”, conta.

Se você também quer se mostrar para as lentes, Fatine dá um conselho: “antes é preciso se conhecer bem, entender que as limitações são físicas e muitas vezes estão apenas dentro da nossa cabeça. É preciso se gostar para passar isso nass fotos”. Então eu digo: preste atenção em seus detalhes, que são únicos e por isso formam um belo mosaico.

Se tiver vontade, se inspire em Fatine, que curte moda e escolheu os looks do ensaio, “adoro moda. Leio, pesquiso, amo comprar roupas, sapatos, bolsas e acessórios. Gosto muito do estilo despojado”, explica. Mas, o estilo – clássico, criativo, moderno – não interfere no resultado final. O que importa é se sentir bem ao preparar aquele sorriso para esperar o próximo flash.

*Mariana Silva (Idealizadora do Blog http://naoesobremoda.wordpress.com, é colaboradora de http://www.tudobemserdiferente.com. Jornalista, 24 anos, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para ela, moda é uma futilidade necessária e um fenômeno sociológico interessantíssimo; “o legal é quando fazemos a moda trabalhar a nosso favor, ficar dependente dela não faz bem”). Tem displasia Óssea, síndrome que afeta o crescimento e a resistência dos ossos de todo o corpo. Escreve Ser diferente é fashion para http://www.tudobemserdiferente.com toda quinta-feira. 

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