Ser mãe de um garoto autista: a incerteza, a descoberta, a angústia, a solidão, as providências

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Recebemos o depoimento da Daniela Steindorff, mãe do Ivan, de 2 anos. Ela nosconta como percebeu alguns sintomas diferentes no filho, a busca por informações e como encontrou ajuda… 

“Me chamo Daniela Steindorff, mãe do Ivan Carlos de 2 anos.
O Ivan é um menino lindo, esperto e sadio. Quando ele fez 1 aninho, estávamos muitos felizes… ele era um menino ativo, que já caminhava e muito esperto. Muito sorridente, muito mesmo. Até escutava muito sobre isso, era uma criança que quase nunca chorava e estava sempre sorrindo.

Mas algo me incomodava, eu chamava ele, brincava com ele e ele não me olhava. Mas no fundo sabia que não era surdez… para outros ruídos ele escutava muito e muito bem. Aí começaram os questinamentos da família como: -Esse ‘guri’ não escuta?. Eu ficava frustrada e agoniada… ele gostava e gosta ainda de ficar girando, girava ele, e girava tudo que via… a dinda deu uma motoca, e no primeiro instante ele já a virou e pôs a girar as rodas…

Ele é muito temperamental, ele tinha muitos problemas em sair de algum lugar que o agradava, foi aí que resolvi usar a internet, pois comentei com a pediatra e ela disse: -Deve ser o jeito dele. Mas eu sempre acreditei que ele era ‘diferente’. E sempre soube daquele ditado, aonde há fumaça há fogo. Resolvi digitar o que ele fazia e dar enter e ver o que aparecia… quando uma palavra apareceu e um grande frio no estômago eu tive: AUTISMO!

Na hora eu chorei, tive medo, olhei pra ele e me perguntei: -Será? Aí começou minha busca incansável sobre o que é, porque e o que fazer. Resolvi procurar ‘ajuda’.
Escrevi para uma ONG chamada AMA (Amigos dos Autistas), quando recebi o e-mail retornando meu contato, nossa eu chorei pra mais de hora, deu um alívio, tipo alguém me estendeu a mão, alguém me ouviu!

Levando lá a dona Iolanda, conversou, trocou experiência comigo e me confortou, disse que imediatamente eu deveria começar com a fonoaudóloga. E assim o fiz, estou há 3 semanas levando ele terças e quintas pela manhã para um atendimento fonoaudiólogo.
O Ivan tem ‘sintomas’ de autista, dentre eles, fica ‘fora do ar’, ele gira rodas e tampas, ele não se interessa pela maioria de brinquedos, ele tem ‘manias’ de separar tudo por cor e tamanho, ele deita no chão e se não se incomodar fica horas, ele tem temperamento aguçado, ele se bate inúmeras vezes e não chora, e sorri e chora quase ao mesmo tempo, ele não atende pelo nome, e tem pouco contato visual (Comigo e o pai dele já tem mais ).

E mesmo sem o diagnóstico confirmado, eu preferi aceitar que ele tem e procurar mostrar pra ele que existe outro mundo além do que conhece. E graças ao fato de eu procurar, fazer sem esperar por profissionais ele melhorou muito, falo de uns 40% de melhora geral em todo o dia do Ivan. Mas aí me pergunto, o que mais posso fazer pelo meu filho?

Coloquei ele na escolinha, ele faz fonoaudióloga e eu tendo brincar e conversar com ele o máximo possível. Ja tive momentos de pânico, de tristeza, mas não vou me deixar abalar, o Ivan precisa que eu mostre a ele o mundo, e eu vou mostrar”…

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