Sinais do Déficit de Atenção

Déficit de atenção é problema sério / Fonte Jornal Sete Dias

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma doença cercada de controvérsia. Por atingir principalmente crianças, muito pais enxergam problemas onde eles não existem — sintomas isolados são comuns nesta fase da vida. Também há quem não preste atenção ao conjunto de sintomas que a caracterizam: quadros de desatenção, hiperatividade e impulsividade de maneira exacerbada. A psicopedagoga institucional do Colégio Anglo, Elizabeth Prates Alves Miranda, alerta que o problema é fruto de uma disfunção do sistema nervoso central, que prejudica o processamento de informações.

“A criança ou adolescente não consegue se concentrar. Na sala de aula ou em qualquer outro ambiente, o indivíduo não consegue fixar sua atenção na atividade que está ocorrendo. Sinais podem ser detectados desde a pré-escola, apesar de serem mais difíceis pela natureza da criança de correr, brincar. É mais perceptível no aprendizado do alfabeto: a criança não tem interesse, não consegue organizar e decorar as letras. É possível um diagnóstico prematuro”, afirma.

Quando não diagnosticada e tratada, pode trazer sérios prejuízos a curto e longo prazos. “Quando não atendido a tempo e sem condições de acompanhar a classe, o aluno acaba por abandonar a escola; o transtorno é um dos grandes responsáveis pela evasão escolar. O aluno acaba isolado, ridicularizado por causa de perguntas fora do contexto ou aparentemente bobas. Na fase adulta, ocorre a marginalização; o isolamento leva à entrega às drogas e ao mundo do crime por não adaptação à sociedade. Mas é uma doença fácil de tratar e é preciso reconhecer que ela existe”, explica a psicopedagoga.

Elizabeth conta que há tratamento e medicamentos para minimizar os efeitos provocados pelo transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. “É uma doença muito comum. Antigamente, crianças costumavam ser taxadas de preguiçosas ou até mesmo de burras. Mas é uma doença que existe e atinge também adultos, universitários”, alerta.

A psicopedagoga observa que o professor, juntamente com a família, tem condições de perceber o problema. “Professores são capacitados para apontar o problema, mas não diagnosticar. No Anglo, este é um diferencial: um projeto está implantado, em que professores indicam possíveis alunos que precisam de ajuda; 80% do universo que me foi passado apresentava TDAH e estamos no caminho certo para tratar”, conta.

SINTOMAS COMUNS:

1) As crianças com TDAH perdem facilmente o foco das atividades quando há algum estímulo do ambiente externo, como barulhos ou movimentações. Elas também se perdem em pensamentos “internos” e chegam a dar a impressão de serem “avoadas”.

2) Perder coisas necessárias para as tarefas e atividades, tais como brinquedos, obrigações escolares, lápis, livros ou ferramentas, é quase uma rotina. A criança chega a perder o mesmo objeto diversas vezes e esquece rapidamente do que lhe é dado.

3) Impaciente, não consegue manter a atenção por muito tempo.

4) Traço típico da hiperatividade, é comum que mãos e pés estejam sempre em movimento, já que ficar parado é praticamente impossível.

5) Existe grande dificuldade em participar de atividades calmas e em silêncio, mesmo quando elas são prazerosas.

6) Tendem a ser impulsivas e não conseguem esperar pela sua vez em filas de espera em lojas, cinema ou mesmo para brincar. É comum ainda que não esperem pelo fim da pergunta para darem uma resposta e que cheguem a interromper outras pessoas.

7) Distraída e sem conseguir prestar atenção na conversa, dificilmente consegue se lembrar de um pedido dos pais ou mesmo de uma regra da casa.

8) A criança com TDAH não tem paciência nem para concluir um pensamento. Assim, ela acaba agindo sem pensar e chega a ser impulsiva e explosiva em alguns momentos.

Celso Martinelli

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