Mãe de gêmeos autistas conta sua história a Tudo Bem Ser Diferente

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Por Debora Gomes

A minha história e a dos meninos começa em 2006 quando a vontade de ser mãe começou a ser maior do que eu mesma. Em uma noite de tristeza e choro, achando que não poderia ser mãe, Deus em um sonho me consolou e disse que seria mãe de um filho homem e que ele deveria se chamar Davi, pois teria o coração segundo o dEle.

Essa expectativa durou até 2009 quando precisei realizar um tratamento de hormônio, e no 1º mês, após 20 dias do inicio do tratamento (8 de setembro de 2009) descobri que estava grávida.

O coração não tinha lugar no peito de tamanha alegria, ainda mais que a gravides tinha vindo em um momento de tristeza pois neste mesmo mês perdi minha amada Avó, com 94 anos. Foi um misto de emoção.

Depois de já ter vivido anos de ansiedade pela expectativa do momento, decidi aguarda o 4º mês, conforme orientação do Obstetra, para o primeiro ultra som.

SURPRESA! Quando o médico começa a deslizar o “aparelhinho” em minha barriga, no auge da minha “leigisse” olhando o monitor pude ver dois seres lindos, mas que fizeram as minhas pernas ficarem imperceptíveis. Veio a notícia oficial pela boca do médico, dois bebês e um ao certo era menino (como Deus havia prometido): DAVI! O segundo bebê até o 7º mês achávamos que era Sofia, mas que nada! Na verdade era Samuel no pregando uma peça desde cedo!

Mas por que Samuel (nome)? Porque na história bíblica foi Samuel que ungiu e consagrou Davi.

Foram 9 meses maravilhosos, com alguns espinhos que não valem a pena serem citadas mas nada que ofuscasse aquele momento.

11 de maio de 2010, o momento único na minha vida, no qual eu descobria o significado maior da minha existência. As 11h43 nascia Samuel e 11h46 Davi.

Foram tempo lindos! E foram crescendo:

Crianças normais até 1 ano.

Mas comecei a me perguntava: onde estava a fase da imitação?

Não davam tchau, eram crianças de brincadeiras próprias, indiferente se havia alguém ou não com eles, se havia ou não visita em casa, não estranhavam ninguém, se eu saísse ou chegasse não fazia diferença.

Geralmente as crianças tem a fase de apego, começam a perceber as pessoas próximas, quando saem choram, quando chegam comemoram.

Desde cedo sempre brinquei cantando músicas, mostrando o pezinho, a barriga, a mão e nunca que tinha retorno em cima desses estímulos.

Daí o Davi começou a ter sinais mais perceptíveis, ficava nos cantinhos isolado, não olhava nos olhos, a estereotipia com uam fitinha; foi ai que meu coração começou a dar um sinal de alerta. E ao mesmo tempo o sentimento de fuga, de negação.

Nesta época era designada na Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais, como Supervisora Pedagógica em uma Escola Estadual no município onde moro. Abriu o edital do concurso e me vi obrigada a mergulhar de cabeça nos estudos pois o nosso futuro dependia desse concurso porque se eu não passasse eu estaria desempregada. A prova seria no final de 2011, foi prorrogado para Março ou Abril de 2012.

Passado a prova voltei novamente o olhar para os meninos e marquei uma consulta com um Neuropediatra em Belo Horizonte, Dr. Maurício Campos que confirmou o diagnostico de Davi, porque até então o diagnostico dele eu tinha certeza, mas Samuel o meu coração teimava em aceitar pois seria muito sofrimento. Mas já sai do consultório com sugestão que procurasse uma avaliação para Samuel.

Não vão existir palavras que eu  posar colocar aqui para descrever as lagrimas que derramei do consultório até o estacionamento onde se encontrava o carro que me doí até agora ao relembrar. O misto de falta de ar até a sensação de não ter um estômago para digerir tudo aquilo.

Pensei em tudo de podre que o mundo poderia oferece aos meus filhos, como o preconceito. Passa um filme em nossa cabeça. A viagem de volta para Itabira, casa dos meus pais, 1 hora e 30 minutos de viagem, foi uma eternidade, meus pensamentos gritando em meio a um silêncio impar.

Cheguei em casa disposta a lutar contra o tempo. Os meus pais não aceitaram o diagnostico por não entenderem do que se tratava. Sabia de uma querida amiga que tem um filho autista, liguei para ela naquela instante e pedi indicação de profissionais para começar as devidas intervenções. Todos achavam que eu estava exagerando!

Foi ai que descobri a pessoa que se tornaria a nossa grande mãezona: France Jane.

Psicóloga da Apae de Itabira e responsável pelos avanços dos Autistas que lá se encontram desenvolve o método Teaccher.

São anjos que, em meio a tanto medo de depararmos com as piores pessoas, Deus manifesta sua graça através do amor de pessoas que como ela, mais do que profissional, nos acolheu como uma família, nos deu colo no momento de dor e incertezas. Além de profissional, emana um único amor pelos meus filhos a quem posso confiar cegamente os meus bens mais preciosos.

Ela confirmou a diagnostico dos dois e prontamente entrou em contato e nos encaminhou para o Dr. Walter Camargos que também ao avaliar confirmou o diagnostico como Autismo Infantil.

De la para ca, tivemos dois encontros com Dr. Walter, o primeiro em outubro de 2012 e o segundo agora em março de 2013. A terceira consulta já esta marcada para agosto deste ano.

Hoje meus anjos tem 3 anos e 2 meses, tiveram uma melhora visível, mas aquém do desejável (aos olhos de uma mãe que sempre quer mais). Fazem uso de Risperidona e fazem acompanhamento Psicoterapeutico com a France, além da TO e Fono. Estão matriculados na Escolinha do Município, no qual dentro do possível estão se empenhando para incluí-los. Ano passado fizeram Hidroterapia, no qual pretendo retornar no início do verão.

Fico muito preocupada se não poderia estar fazendo mais, mas moro em um município, Passabém/MG, que possui menos de 1800 habitantes e todos os acompanhamentos são feitos em outros municípios (Itabira e Santa Maria de Itabira). A France também me alerta pois eles são muito pequenos para uma agenda cheia e que o importe é a qualidade dos estímulos recebidos.

Hoje ainda sofro quando vejo crianças típicas da idade deles e posso ver claramente a diferença entre eles. Peço muito a Deus que me dê condições para que eu os veja adultos independentes, pois mãe é um ser mortal e um dia não poderemos estar mais com eles.

Ainda não falam, mas creio que será questão de tempo. Tenho fé!

Estudo e leio tudo que posso para ajuda-los. A principio criei um blog http://diariomaedeumautista.blogspot.com.br/  no qual arquivava tudo que encontrava para nos momentos vagos pudesse estudar, mas depois descobri que as maiores informações vinham de blogs de pais e profissionais, então resolvi entrar nesta rede de solidariedade e ajudar outras famílias que assim como eu busca o melhor para os filhos.

Sempre falo que Deus não me colocou nesta estrada a toa. Ele tem seus motivos e se aqui estou, visto esta camisa. Irei lutar não só pelos meus filhos, mas por todos. Talves seja uma formiguinha, mas vou fazer a minha parte até quem sabe um dia poder ajudar diretamente outras famílias. É um sonho que se Deus achar que seja adequado Ele me horará.

Ah! E com relação ao concurso fui aprovada em 1º lugar e já estou trabalhando como efetiva.

Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.

Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”

Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?.”

Textos Base:João 12:26; Jô 42:2 e Isaías 43:13b

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Razão do meu viver e sorriso de cada dia!

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