Atleta com deficiência visual é craque no futebol e no piano

304030_heroaAtleta com deficiência visual é revelação no esporte e nas artes, sonha com Rio 2016 e impressiona amigos e conhecidos pelo talento em suas atividades

Por Paulo Vitor Ferreira
Do Rio de Janeiro

Eduardo Júnior de Oliveira. Craque do futebol de cinco, modalidade para cegos. Mais conhecido comoDudu, o atleta de 17 anos nasceu com glaucoma congênito e, por este motivo, tem cegueira total. A doença é sequela da sífilis transmitida por seu pai, Eduardo de Oliveira. Hoje, a figura paterna é ausente e mora nos Estados Unidos, mas a mãe, dona Luciedina Barbosa, participa de toda a vida do filho. Antigo morador de comunidade de Nova Iguaçu, o garoto mora em Bonsucesso em um apartamento próximo ao local de treinamento com aluguel pago por seu clube, o Superar Esportes. No entanto, não é craque apenas com a bola nos pés. Ele é ótimo também na música e nas letras.

Dudu mostra que é também um craque nas baquetas

Dudu já foi artilheiro, melhor jogador e colecionou títulos em três edições dos Jogos Escolares para desportistas com deficiência. Por causa de grandes atuações em vários torneios, quase foi para os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012. Foi por pouco. Quem sempre o acompanhou foi o treinador Renato Redovalio, também do Superar.

“Eu devo tudo ao Renato. Ele é meu incentivador, técnico e amigo. Sempre esteve comigo”, afirmou Dudu, mostrando gratidão por Renato. O treinador também demonstra admiração pelo pupilo. “Ele é um exemplo, um grande jogador e sujeito. Além disso, é habilidoso com a bola nos pés, na escrita e na música”, disse.

Renato não está mentindo. O Goal acompanhou um ensaio musical do artilheiro e comprovou que ele é mesmo craque com as baquetas. Todos os presentes ficaram impressionados com a competência de Eduardo. Alguns brincaram e o compararam com John Bonham, eterno baterista do inglês Led Zeppelin, falecido em 1980. Dudu achou graça da comparação.

“Estou parado por causa dos treinos intensos. Estava tocando em uma igreja e meu estilo é mais popular”, comentou o bem-humorado atleta. Tudo bem. Vamos lá. Que tal o também falecido ex-integrante do The Who, Keith Moon? O atleta continuou rindo.

Aliás, o bom humor é a característica principal de Dudu. Ele lembrou às gargalhadas quando um repórter cinematográfico o desafiou no futebol. “Ele queria ver minha habilidade. O nome dele é Rogério, grande profissional e meu amigo. Não tem deficiência visual obviamente e jogou sem venda nos olhos. Joguei a bola por entre suas pernas. Até o mendigo que passava próximo à quadra riu. Foi muito bom. Pena que, para jogar, ele desligou a câmera. Tinha de ter gravado”, disse o jogador, quase às lágrimas de tanto rir.

Brincadeiras à parte, Dudu é pura simpatia. Ah! Ele também escreve contos sobre sua própria vida, falando das dificuldades e (muitas) vitórias de uma pessoa com deficiência. “Você tem de tentar. Nada é impossível. Caso não consiga, tudo bem. No entanto, é raro a deficiência atrapalhar em algo. Tem que dar oportunidade. Ainda bem que estou tendo chances”, analisou Eduardo, que tem a namorada Alaine Lilian como fonte de inspiração.

Dudu tem dois sonhos imediatos. Um é ser convocado para os Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016. O outro é conhecer seu ídolo no futebol, Fred, atacante de seu clube de coração, o Fluminense, e da seleção brasileira.

Assim é Eduardo Júnior de Oliveira. Vibrante e bem-humorado. Craque da bola, da escrita, da música e (por que não?) da vida.

Fonte Goal

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