Tudo Bem Ser Diferente em reportagem do Canal Minas Saúde sobre Saúde na Internet

SAÚDE NA INTERNET / CANAL MINAS SAÚDE

Saúde e doença nas redes na Era do Dr. Google

É direito do cidadão o acesso a informações que favoreçam seus autocuidados em saúde. No entanto, as informações disponíveis na Internet nem sempre têm boa fundamentação técnico-científico e com frequência apresentam viés comercial, podendo gerar desperdício de recursos ou mesmo induzir práticas prejudiciais ao próprio paciente.

por Adriana Santos

 

A internet é uma fonte inesgotável de informações sobre saúde ou qualquer outro tema que você tenha curiosidade ou até mesmo assuntos que nunca pensou pesquisar. Ao consultar a palavra saúde no Google, o mais procurado site de busca do planeta aponta, até o dia de hoje, 183.000.000 resultados, perdendo apenas para doença com 18.700.000 links sugeridos. Só para lembrar, segundo a ONU, saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. A disparidade de resultados talvez se explique pela mudança de paradigma com relação ao processo de saúde e adoecimento e pela procura incessante por qualidade de vida e bem estar em uma sociedade altamente competitiva.

 

A fartura de informações sobre saúde e doença requer alguns cuidados, para que o interesse por informação não se torne um vício, prejudicando o poder de discernimento do cidadão. O jornalista Guilherme Amorim, por exemplo, é uma dessas pessoas que a qualquer sinal de doença se debruça no computador a procura de informações que possam esclarecer  as causas de algumas reações do organismo, além das frequentes consultas às bulas de remédios disponíveis na internet. Muitas vezes ficou assustado e sugestionado e até pensou que tivesse um problema no coração.  “No consultório, não só vi que meu coração estava ótimo, como acabei descobrindo que o que senti não passava de uma crise de ansiedade. Não que seja algo menor, sem importância, mas não tinha nada a ver com o ‘susto’”, diz, aliviado.

 

O farmacêutico Rogério Hoefler do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (Cebrim) do Conselho Federal de Farmácia alerta sobre como procurar informações qualificadas na rede.  “É de suma importância que as informações encontradas na Internet sejam apresentadas a um profissional habilitado, por exemplo, nutricionista (informação sobre dieta), educador físico (informação sobre atividades físicas), farmacêutico (informação sobre medicamentos), médico (informação sobre doenças, diagnóstico e tratamento), etc. Ou seja, a informação disponível na Internet não substitui a orientação profissional”, orienta Hoefler.

 

Um dos assuntos mais acessados na internet na área da saúde é medicamento. Rogério Hoefler alerta que não há medicamento totalmente seguro, portanto, mesmo aqueles que não requerem prescrição médica, podem produzir efeitos adversos ou mesmo mascarar sintomas de doenças e protelar a ida do paciente a um médico. Nesse caso, o diagnóstico tardio de uma doença pode dificultar a cura e até aumentar o risco de morte ao paciente.  “Como exemplos, podem ser citados: o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, que podem produzir gastrites e úlceras e mascarar uma infecção; o uso de medicamentos para gastrite e úlcera que podem mascarar um câncer gástrico. Os riscos podem ser aumentados quando há uso excessivo sem orientação profissional”, esclarece.

 

 

Desde 1992, o Conselho Federal de Farmácia mantém o Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (Cebrim), seção cuja equipe técnica se propõe a fornecer suporte técnico, aos profissionais da saúde, para a solução de questões práticas relacionadas ao uso de medicamentos. O atendimento é realizado por farmacêuticos treinados nessa atividade, os quais se utilizam de informações técnico-científicas imparciais, atualizadas, contextualizadas e criticamente avaliadas, conforme parâmetros das condutas fundamentadas em evidências. Responder perguntas encaminhadas por profissionais da saúde é o serviço nuclear oferecido pelo Cebrim/CFF, que é gratuito, personalizado e estritamente confidencial.

 

O Cebrim/CFF não se propõe a responder perguntas de usuários de medicamentos em razão da limitada estrutura disponível, mas disponibiliza publicações, alertas e notas técnicas que qualquer pessoa pode acessar e, se pertinente, levar ao profissional para auxiliar no atendimento. Informações adicionais e acesso de profissionais da saúde podem ser feitas por meio do link Cebrim, no sítio do CFF na Internet.

 

Além disso, é importante salientar que há muitas informações sobre saúde disponíveis em outras instituições, tais como Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os sites ligados a instituições de saúde trazem informações confiáveis e também existem blogs de pessoas que são apoiadas por instituições de saúde e tem boa reputação. Vale a pena pesquisar e ter uma leitura crítica do que está exposto e comparar com o que já conhece sobre a doença.

 

Além dos cuidados na hora de procurar informações sobre saúde e doença na internet e redes sociais é necessário ainda saber se comportar na hora de compartilhar informações e se expor publicamente problemas de saúde. Segundo Dra. Ana Merzel Kernkraut, coordenadora do Serviço de Psicologia Hospital Israelita Albert Einstein, é importante que a pessoa que está compartilhando a sua situação esteja ciente das repercussões que o compartilhamento possa ter. Por exemplo, se o compartilhar de informações tem um motivo inicial de desabafo e ela terá que lidar com a repercussão deste desabafo, mas compartilhar o que funcionou para ela, como ela lidou pode ter um sentido de solidariedade de tentar fazer que o caminho para o outro seja mais fácil do que foi para ela.

 

Muitas vezes o paciente fornece dicas para o outro que ele demorou a descobrir e que podem ser muito úteis para o outro. “O importante é estar tranquilo consigo mesmo com relação a exposição da doença, pois a exposição pode tomar proporções grandes e a partir disto terá a tarefa de lidar com a consequência da exposição. É necessário saber qual a intenção ao postar informações e fotos”, explica.

 

A jornalista, blogueira e professora universitária, Sônia Pessoa, é uma dessas pessoas inquietas e que buscam, vorazmente, informações nas redes, em especial depois do diagnóstico de hidrocefalia e de um tumor benigno no terceiro ventrículo cerebral do seu único filho, Pedro, 7 anos.

 

 

Segundo Sônia, a descoberta da doença foi feita por uma pediatra em uma consulta de rotina. A partir da suspeita da profissional, ela passou a pesquisar diariamente todos os detalhes da hidrocefalia, das neurocirurgias, tratamento, reabilitação, terapias e profissionais. “A solidariedade se expande na internet, se torna algo que ultrapassa as relações pessoais mais próximas e que pode igualmente contribuir para a sua vivência naquele momento e em situações futuras!”, desabafa.

 

Com o objetivo de reunir as principais informações e trocar informações com outros pais que passavam pela mesma situação, Sônia resolveu criar o blog Tudo Bem Ser Diferente. “Eu usava demais as pesquisas como referência pessoal, pesquisava muito sobre hidrocefalia, encontrava pouco material, e trocava ideia com as pessoas, profissionais, famílias… é uma fonte inesgotável de pesquisa e de informação. Foi fundamental para lançar o blog Tudo Bem Ser Diferente” diz.

 

Veja só as dicas que selecionamos para você aproveitar o máximo a internet:

 

 

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