A saúde mental do professor: muitos docentes pernambucos estão com síndrome de esgotamento profissional

Fonte Uol Educação / Jornal do Comércio, onde você lê a reportagem completa e assiste o video da entrevista.

BURNOUT

Saúde mental do professor em alerta

Docentes pernambucanos estão desenvolvendo distúrbio conhecido como síndrome do esgotamento profissional

 


Síndrome também é conhecida como da desistência do educador

Falta de motivação para o trabalho, baixa realização profissional e exaustão emocional constituem uma síndrome que atinge cada vez mais professores pernambucanos da rede pública. Apesar de Freud já citar a doença no início do século 20, apenas nos anos 70 o estudo foi aprofundado pelo psicanalista nova-iorquino Freudenberger, após constatá-la em si mesmo. Em Pernambuco, o psicólogo do Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado (Sassepe), André Luís de Souza, contabiliza que 40% dos quase 120 professores que atende sofrem de algum sintoma do distúrbio.

A Síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo), também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, afeta principalmente trabalhadores da área de saúde, segurança e educação, porque são funções de grande responsabilidade e que lidam diretamente com outras pessoas, particularmente quando elas estão com problemas ou preocupadas.  “Cuidar de alguém exige tensão. O trabalhador se envolve afetivamente com seus usuários – pacientes, clientes, alunos -, desgasta-se e, num extremo, desiste, não aguenta mais, entra em burnout”, revela o psicólogo.

Esse esgotamento aconteceu com a professora Daniella Crivellare, de 41 anos, que já trabalhou em diversas escolas da rede particular de ensino e nas redes estadual e municipal, no Recife e em Olinda. “Adoeci quando extrapolei meus limites. Trabalhava em três redes diferentes nos turnos:manhã, tarde e noite”, contou. Para ela, além da exaustão física e emocional, também contribuíram para a síndrome o “salário vergonhoso, a infraestrutura precária das escolas, a falta de funcionários e a falta de acompanhamento dos responsáveis pelos alunos”.

André Luís desenvolve uma pesquisa sobre a saúde do professor baseada nos nove anos de trabalho com os docentes do Estado. Segundo ele, há duas causas principais para o desenvolvimento dessa síndrome também conhecida como da desistência do educador. A primeira seria inerente à própria profissão, à responsabilidade de educar, à função desgastante e às demandas exigidas, enquanto a segunda refere-se às condições de trabalho, à falta de estrutura física e de material de trabalho, às questões salariais e à consequente desvalorização.

Para os cerca de 30 mil professores da rede estadual, Pernambuco só possui um consultório de saúde mental com 12 psicólogos, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. “Professor doente é professor ausente, que resulta no aumento dos números de licença e prejudica o ano letivo, mas nada é feito para conter isso”, alerta André Luís.

Aos professores que sofrem graus mais avançados da síndrome é necessário o afastamento da sala de aula e a readaptação em outros setores da escola, como biblioteca ou serviços  administrativos. Foi o que aconteceu com a professora Daniella: “Já voltei para a sala de aula e me sinto ótima. Só trabalho um horário em sala e, no outro, sou técnica, realizando um trabalho burocrático”.

O mesmo, porém, não aconteceu com uma paciente de André Luis. Afastada há 15 dias da sala de aula, no município de Palmares, Zona da Mata pernambucana, a professora, que desde dezembro tentava uma consulta, nem banho tomava sozinha, num grave estado de depressão. “Em uma sessão ela já conseguiu realizar quatro atividades que não se sentia capaz: tomar banho só, dar banho na cadela, ficar mais tempo acordada e descer na parada de ônibus certa do colégio”, relata o psicólogo que renovou a licença médica da paciente no dia 5 de maio. Ele alerta para a necessidade de um trabalho preventivo: “No Sassepe, a gente não consegue abarcar todo o público da rede. É uma das maiores classes, e a psicoterapia exige um certo tempo para dar  resultados”.

As principais causas:

Os principais sintomas:

Excesso de trabalho Psicossomáticos – fadiga crônica, dor de cabeça, distúrbios do sono, úlceras e problemas gástricos, dores musculares, perda  de peso
Sobre-esforço (que leva a estados de ansiedade e fadiga) Comportamentais – falta ao trabalho, vícios (fumo, álcool, drogas, café)
Desmoralização e perda de ilusão Emocionais – irritabilidade, falta de concentração, distanciamento afetivo,disfonia
Perda de vocação  

Relativos ao trabalho – menor capacidade, ações hostis, conflitos

Decepção com superiores
Anúncios