Fanático por videogame, nadador cego se especializa em jogos de luta

Matheus Souza ganhou prata no Mundial de Montreal Foto: Danilo Vital / Terra
Matheus Souza ganhou prata no Mundial de Montreal
Foto: Danilo Vital / Terra

  • Matheus Souza joga Mortal Kombat com o Scorpion,Street Fighter com o Ryu e, de vez em quando, se arrisca no Tekken também. Ele é fã de jogos de luta para videogame, principalmente porque são os únicos que consegue jogar: Matheus é totalmente cego, mas é capaz de se divertir guiado pelos sons das lutas, seu principal passatempo quando não está treinando para ser um atleta paralímpico.

Para isso, o nadador de 20 anos conta com a tecnologia avançada dos games e de sistemassurround ou fones de ouvido, que reproduzem efeitos que considera “muito interessantes”. “No caso dos jogos de luta, dá para saber quem é o lutador. Cada um tem um barulho diferente, e cada magia também. Dá para saber se ele está dando soco ou chute, e aí tentar desviar”, explicou. Nas edições mais antigas e simples, essa tecnologia não existia.

Quando os amigos perguntam por que a preferência pelos jogos de luta, Matheus, membro da delegação brasileira que disputa o Mundial Paralímpico de natação em Montreal, no Canadá, responde simples: “porque senão é complicado mesmo”. “Nos jogos de corrida, aventura e ação, como o Call of Duty, é mais difícil diferenciar. Os desenvolvedores poderiam optar por adaptar para essa sensibilidade”, sugeriu, citando os aparelhos da Apple como referência – todos têm o voiceover, aplicativo de leitura de tela.

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Um dos pódios da noite foi conquistado com presença de medalhões como Daniel Dias e Clodoaldo Silva
Foto: Marcelo Regua / MPIX / Divulgação

Essas reivindicações podem ser o futuro de Matheus, que cursa sistemas de informação em uma faculdade em Brusque. No segundo semestre, precisou trancar o curso para se dedicar aos treinamentos – passou quase um mês longe de casa para focar o Mundial de Montreal. Lamentou a falta de compreensão dos professores com as faltas: “é complicado, o pessoal não dá apoio nenhum. Eu estava me virando, e ano que vem vou me esforçar para voltar”. A partir daí, já pensa em migrar para o mercado dos games.

Matheus já cansou dos audiogames, desenvolvidos especialmente para cegos, mas enjoativos e simplórios. “Acredito na opção de jogos para todos no futuro”, afirmou o atleta, uma das promessas para os Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Em Montreal, caiu na água na terça-feira, terminando em 6º lugar nos 50 m livre S11. Na quarta, ficou com a prata nos 400 m S11. Para relaxar, gostaria de poder alternar os jogos, deixando de lado Scorpion e Ryu. “Torço para que isso aconteça no futuro, porque eu tenho muita esperança de jogar”, completou.

O repórter viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

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