O salto alto e eu, Ser diferente é fashion, Mariana Silva

tresDesde criança, sempre tive muita vontade de usar salto alto. Quando mais nova, minha mãe amava esses sapatos. Não usava saltos muito altos, mas sempre tamanhos elegantes, que valorizavam o visual e deixavam a silhueta super bem colocada.

Mas os fisioterapeutas que me acompanhavam por conta das limitações físicas, os problemas no joelho e no quadril, diziam que salto alto, para mim, nunca na vida! Meu calçado deveria ser, somente e apenas, tênis confortáveis ou, no máximo, uma rasteirinha.

Mas eu achava essas duas opções tão sem graça, mesmo antes de me interessar pelo mundo da moda. Ficava admirando os sapatos mais estilosos nas vitrines das lojas. Aí, um dia, minha mãe me fez ter coragem pra comprar um sapato tipo boneca, com salto baixo.

Ela dizia: “assim não faz mal Mariana, e só você usar apenas para sair, que não vai sentir dor”. Conselho de mãe é quase ordem, vocês sabem, então comprei o sapato e quando subi no pequeno salto, me senti tão feliz e bonita.

Depois desse primeiro, acabei comprando outros sapatos. Depois de um tempo, com mais costume, os saltos foram aumentando, mas não passam de sete centímetros, já que maiores me incomodam. Não uso sempre, mas quando quero me fazer elegante.

Sobre minhas limitações? Bom, elas continuam existindo e se fico muito tempo em pé calçando esses sapatos, acabo sentindo dor. Mas não deixo de usar meu salto alto de vez em quando, em ocasiões bem especiais, só porque me faz bem.

Se você tem restrições ao uso desse calçado, acho que, caso tenha vontade, deveria tentar de vez em quando. Olha, não estou dizendo para você abusar, só para tentar de vez em quando. Se eu ouvisse todos os “não pode” que os médicos dizem, não teria feito metade das coisas que fiz.

Nós, diferentes, podemos fazer tudo; basta ter cuidado, ir com calma e paciência que tudo se ajeita. O salto alto é só um dos desafios que enfrentei na vida. Só uma metáfora para dizer que podemos fazer tudo, basta saber como.

*Mariana Silva (Idealizadora do Blog http://naoesobremoda.wordpress.com, é colaboradora de http://www.tudobemserdiferente.com. Jornalista, 24 anos, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para ela, moda é uma futilidade necessária e um fenômeno sociológico interessantíssimo; “o legal é quando fazemos a moda trabalhar a nosso favor, ficar dependente dela não faz bem”). Tem displasia Óssea, síndrome que afeta o crescimento e a resistência dos ossos de todo o corpo. Escreve Ser diferente é fashion para http://www.tudobemserdiferente.com toda quinta-feira. As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

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