O desafio da inclusão em sala de aula: Psicopedagoga fala sobre o envolvimento da família e do educador

Por Esther Cristina Pereira* 

 

Imagine uma sala de aula com 20 alunos, sendo três deles com déficit de atenção, dois com problemas de processamento auditivo e um com transtorno opositor desafiador. Os casos de inclusão aumentam a cada dia, assim como surgem novas síndromes com as quais a sociedade precisa aprender a lidar. Neste contexto, como o professor explica para um público tão complexo e diverso um conteúdo de fração, por exemplo? Como fazer os alunos terem um pensamento e um comportamento uniforme? Este é um dos maiores desafios que as escolas regulares enfrentam hoje, pois incluir socialmente é diferente de incluir pedagogicamente.

Quando se fala em educação inclusiva devemos refletir sobre como a escola pode incluir estes alunos dentro das suas regras de convivência. Acredito que o aluno de inclusão precisa receber um atendimento individualizado com o acompanhamento de especialistas que sabem como fazer, o que fazer e quando fazer. A inclusão é muito mais do que receber este aluno na escola regular e integrá-lo em sala de aula com os colegas. É acompanhar o seu desenvolvimento e certificar-se de que este estudante está absorvendo o conteúdo e que a escola está contribuindo para o seu crescimento, não apenas na aprendizagem, mas também o preparando para a vida.

À escola cabe definir o seu papel e suas possibilidades perante as inclusões estabelecendo quais são suas condições em relação à forma de ensinar e atender cada criança. É bastante interessante ver como a Europa trabalha a inclusão em sala de aula. Existem desde salas apenas para autistas até salas de contenção todas revestidas de espuma para a criança que sai da linha central e começa a se debater.
Aos professores cabe fazer a diferença e aprender a lidar com estas novas situações. Hoje vemos professores adoecendo emocionalmente e fisicamente por conta destes conflitos. São profissionais que terminam um curso superior sem noção de como lidar com a inclusão, pois viveram isso somente na teoria. De qualquer maneira, o professor estudou para cuidar de todos de forma igual, educar a todos pedagogicamente com qualidade, então, humanamente ele não tem como aguentar e suportar tantos casos específicos, alguns deles que geram até agressões.  Faz-se necessária a ajuda externa de especialistas que mediquem e atendam individualmente a criança de inclusão, para que assim a educação possa ser feita de verdade para todos e com todos. Para vencer estas barreiras precisamos envolver a criança, a escola, o professor e, principalmente, a família, pois em muitas situações, a família não suporta as dificuldades, mas o professor precisa fazer a diferença.

Acredito que cada criança é incluída de alguma maneira, ou por ser mais inteligente, ou menos capaz em alguma habilidade, ou por ser impulsiva, arrogante, ou cínica. Todos são incluídos e a sociedade deve ter esta ciência e perceber o que cada um é capaz de fazer por si e pelo outro. Às famílias com casos de inclusão cabe um diálogo franco e aberto, além de uma parceria com a escola, pois vale lembrar que o contrato pode ser rescindido com a escola, mas com o filho é para a vida toda.

Esther Cristina Pereira – psicopedagoga com MBA em Gestão pela PUCPR e diretora da Escola Atuação, em Curitiba.

Anúncios