Evento marca o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência

Fonte: Agência de Boa Notícia

No Brasil, segundo o IBGE, 14,5%  da população tem algum tipo de deficiência. Os direitos dos deficientes estão garantidos na Constituição Federal de 1988 e o país tem avançado nas legislações sobre os direitos das pessoas com deficiência. Estes avanços foram frutos de muitas lutas. O objetivo é transformar. Há, no entanto, muito trabalho pela frente, cuja finalidade é pressionar para que estas leis saiam do papel, trazendo igualdade para todos os cidadãos.

Neste contexto, o país celebra, em 21 de setembro, o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. A data foi instituída pelo movimento social em encontro nacional, realizado em 1982, com participação de todas as entidades nacionais. Foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o Dia da Árvore, numa representação do florescimento das reivindicações de cidadania e participação plena em igualdade de condições. A data foi oficializada através da Lei Federal nº 11.133, de 14 de julho de 2005.

Em Fortaleza, a data será celebrada nesta sexta-feira, 20, com apresentações artísticas, oficinas, brinquedos (cama elástica, piscina de bolinha, infláveis), palhaços e lanches. O evento acontece no Lago Jacarey, das 14h às 18h. A promoção é da Casa da Esperança, em parceria com o Projeto Diferente, Associação de Pais e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil (APABB), o Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEEsp), Associação Brasileira para a Ação por Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça) e da comunidade.

A educadora física Cláudia Hartwig, integrante de Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, diz que as barreiras arquitetônicas que dificultam a acessibilidade das pessoas com limitações são um grande problema. Mas, de certa forma, estão sendo gastos milhões para melhorar esse quadro. Para ela, o maior desafio que as pessoas com deficiência enfrentam hoje na sociedade são as “barreiras atitudinais”. Ela defende uma mudança  de cultura. “Temos que começar trabalhar esse aspecto. As escolas, a mídia, todos podem ajudar a melhorar as atitudes em relação as pessoas com deficiência. Isso vai levar à boa vontade, a compreensão”, diz.

Mãe de Diego, 17 anos, jovem com autismo, Cláudia Hartwig reconhece que a sociedade ainda discrimina o autista – assim como outras pessoas com deficiência física ou mental. “Mas não nos colocamos como vítimas da vida. A vida está aí com seus desafios para todos – com deficiência ou não. Então, vamos ser protagonistas e não vítimas”, esclarece.

Ela informa que o Conselho Estadual das Pessoas com Deficiência tem fomentado ações em articulação com movimentos e entidades que atuam na defesa dessas pessoas. As reuniões ordinárias acontecem uma vez por mês e há também as reuniões extraordinárias

Casa da Esperança

Em Fortaleza, Fátima Dourado, médica e mãe de dois autistas, fundou a Casa da Esperança, entidade de referência internacional no tratamento e estudo do autismo. Até chegar a essa fase da vida em que pode compartilhar experiência e conhecimentos sobre autismo, Fátima  enfrentou dificuldades. Para enfrentá-las, a médica uniu-se a oito mães com filhos autistas e fundaram, há 20 anos, a Casa da Esperança.

Atualmente a entidade atende 400 pessoas com autismo em regime intensivo, de quatro ou oito horas por dia e realiza mais de mil procedimentos ambulatoriais diariamente, na condição de unidade de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fátima Dourado escreveu o livro “Autismo e Cérebro Social – Compreensão e Ação”, um relato emocionado dos desafios e conquistas com a descoberta do diagnóstico de autismo nos filhos Giordano Bruno e Pablo, hoje adultos.  Em detalhes, ela cita os personagens e os percalços desta caminhada até hoje, quando, à frente da Casa da Esperança pode oferecer a pais e mães de filhos autistas as respostas que não teve no passado. O livro apresenta sua trajetória de superação e também traz dados científicos que ajudam leigos e profissionais a entenderem melhor esse transtorno de desenvolvimento e relacionamento.

Saiba mais

Legislações que versam sobre os direitos das pessoas com deficiência

•    Lei Federal  nº 7.853, de 24/10/1989, dispõe sobre a responsabilidades do poder público nas áreas da educação, saúde, formação profissional, trabalho, recursos humanos, acessibilidade aos espaços públicos, criminalização do preconceito.
•    Lei Federal  nº 8.213, 24/07/1991, dispõe que as empresas com 100 (cem) ou mais empregados devem empregar de 2% a 5% de pessoas com deficiência.
•    Lei Federal  nº 10.098, de 20/12/2000, dispõe sobre acessibilidade nos edifícios públicos ou de uso coletivo, nos edifícios de uso privado, nos veículos de transporte coletivo, nos sistemas de comunicação e sinalização, e ajudas técnicas que contribuam para a autonomia das pessoas com deficiência.
•    Lei Federal nº 10.436, 24/04/2002, dispõe sobre  o reconhecimento  da LIBRAS-Língua Brasileira de Sinais para os Surdos

Serviço
Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência
Data: 20 de setembro
Local: Lago Jacarey
Horário: 14h às 18h

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