Autismo e o mercado de trabalho

Por Camila Gadelha / Diário do Amazonas

Para muitas pessoas pode parecer estranho juntar em uma mesma frase, autismo e mercado de trabalho, mas nos últimos anos, estamos acompanhando cada vez mais notícias do quanto isso é possível. Isso porque, além de haver mais tratamentos que podem melhorar a vida das pessoas com transtorno de espectro autista, as informações sobre o transtorno estão mais difundidas, então o preconceito vem diminuindo.

Empresas como a SAP, da Alemanha, e a Freddie Mac, dos Estados Unidos, já têm programas específicos apenas para contratar pessoas com autismo. Elas afirmam que pessoas com autismo têm talentos específicos que podem contribuir muito com o tipo de trabalho que desenvolvem, além, é claro, de tirar essas pessoas das margens de nossa sociedade.

Mas, para que pessoas com Transtorno de Espectro Autista cheguem ao mercado de trabalho não é uma coisa simples. Elas têm algumas dificuldades específicas que precisam ser trabalhadas. Então é importante se criar programas que as ajudem nesse sentido.

Um exemplo de programa que auxilia os autistas a entrarem no mercado de trabalho é o “Programa Aspergers no mercado de trabalho” do Centro de Otimização para Reabilitação do Autista – CORA. O programa é projetado para avaliar quais são as habilidades do participante e assim, constituir uma base de competências que o apoiará em longo prazo.

Além disso, o programa abrange temas como comportamentos em um ambiente de trabalho, até mesmo habilidades em entrevistas e expectativas do empregador, etc. É um programa que tende a nortear mais especificamente a parte comportamental, dando suporte para a pessoa desde a entrevista até a se manter no emprego.

Outro exemplo é o projeto “Inclusão no Mercado de Trabalho”, da Associação para o Desenvolvimento dos Autistas em Campinas – ADACAMP. O projeto consiste em oficinas que favorecem o desenvolvimento dos usuários para uma nova visão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Além de proporcionar o conhecimento e vivências práticas específicas do mercado de trabalho a essas pessoas.

Apesar de existir uma lei no Brasil que obriga as empresas, com 100 funcionários ou mais, a terem de 2 a 5% de seus cargos com pessoas com deficiência, a lei não é suficiente. E é pelo fato da lei não ser suficiente que a ADACAMP acha importante ter projetos como esse, para que tanto os autistas como as empresas estejam preparadas para essa nova realidade que é de ter pessoas com transtorno de espectro autistas trabalhando.

Os exemplos citados são apenas alguns, dos muitos projetos que existem pelo mundo, como forma de auxiliar pessoas com autismo a se inserirem no mercado de trabalho, e assim, se inserirem em nossa sociedade. É preciso caminhar muito para que as condições para recebê-los sejam ideais, mas os primeiros passos já estão sendo dados, e isso já significa muito. Mostra que é possível fazer algo hoje, que anos atrás era impensável.

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