Uma entrevista com a boneca + descolada do universo da moda, Ser diferente é fashion, por Mariana Silva

Conversando com a Tina Descolada

Essa semana temos aqui na “Ser Diferente é Fashion” uma convidada muito especial: a Tina Descolada! Depois de ver tantas histórias legais publicadas aqui, ela resolveu conversar com a gente, nos contar um pouco de sua relação com a moda, produtos de beleza, roupas enfim, tudo que faz parte desse mundinho fashion. Se você ainda não conhece a Tina, dá um pulinho no blog dela… Acompanhe o bate papo:

– E então Tina, você curte moda?

Sou vaidosa e gosto de me cuidar. Acho que a moda é uma maneira de mostrar minha individualidade e minha essência. Mas, sabe uma coisa que não curto na moda? É que, às vezes, essa indústria não pensa que somos todos diferentes, deixando todo mundo igual. Infelizmente, as pessoas que “inventam moda” ainda não pensam em nós, pessoas com necessidades motoras. Seria bom ter roupas adaptadas.

– Qual o seu estilo? É descolada até na hora de se vestir?

Acho que tenho um estilo casual, democrático, combina com meu jeito “descolado” de ser. E não é preciso ter muitas roupas para se vestir bem. O consumismo não é bom para o meio-ambiente. Eu, por exemplo, gosto de reciclar, reinventar, customizar. Assim acho mais legal.

– E de maquiagem, gosta?

No dia a dia não uso, gosto de ficar ao natural. Mas, para a balada, é bom porque realça a beleza. Fica charmoso…

– O fato de você usar um aparelho nas pernas atrapalha na hora de escolher roupas?

Para falar a verdade, tenho um problema com essas órteses. Não é qualquer sapato que serve. Uso sempre tênis ou botas, acho que isso também contribui para meu estilo casual. Com a deformidade que tenho nos pés não posso usar sapatos de salto. Ás vezes isso me deixa triste. Quando era mais nova, usava de vez em quando. Mas hoje entendo minha condição e, pensando bem, as pessoas usam salto para parecerem mais altas. Como fico sentada ninguém vai reparar isso, né?

Recentemente você participou de um desfile de moda. Como foi?

Essa foi minha primeira experiência no mundo da moda. Fiquei muito emocionada e bastante feliz com a oportunidade. A moda inclusiva já é tendência em países da Europa, nos Estados Unidos e em algumas cidades do Brasil. Destaco aqui o trabalho da Angela Ferreira, em Brasília, com seu lindo projeto “Fashion Inclusivo” e da Kica Castro, em São Paulo, com sua agência para modelos especiais.

– Depois dessa conversa tão descolada, deixe um recado para os leitores!

Pense em seu bem-estar. Cuide-se. Essa é a tendência que não saí de moda!

*Mariana Silva (Idealizadora do Blog http://naoesobremoda.wordpress.com, é colaboradora de http://www.tudobemserdiferente.com. Jornalista, 24 anos, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para ela, moda é uma futilidade necessária e um fenômeno sociológico interessantíssimo; “o legal é quando fazemos a moda trabalhar a nosso favor, ficar dependente dela não faz bem”). Tem displasia Óssea, síndrome que afeta o crescimento e a resistência dos ossos de todo o corpo. Escreve Ser diferente é fashion para http://www.tudobemserdiferente.com toda quinta-feira. As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade da colunista.

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