Livro e bonequinho ajudam crianças a aceitar as diferenças

O projeto estende-se até a casa dos alunos, para onde eles levam o Carlinhos

‘Me contaram que antigamente, muita gente não queria ser amigo de pessoas negras e hoje não é mais assim, eu não sou assim” – Tales Antônio Ribeiro da Silva, 8 anos – Divulgação

 

Ele pediu para ser chamado de Carlinhos. Não gostava do apelido, pretinho. Por causa disso, ensinou sobre a importância do respeito. Esta é a história do livro “Pretinho, meu boneco querido”, da escritora Maria Cristina Furtado. Texto que tem ajudado crianças da rede pública de ensino de Votorantim a identificar situações de discriminação e preconceito no dia-a-dia. “Não podemos ficar chamando os amigos de gordo, de magro, falar do cabelo e da cor da pele”, ensinou Beatriz Moreira dos Santos, de 8 anos.

Ela é aluna da Escola Municipal “Aurora Fontes”, na Vila Nova Votorantim, onde os alunos do 3º ano da turma da manhã têm como companhia diária um boneco de pano, que foi feito por uma funcionária da escola para ajudar nas aulas. “Temos um aluno negro na sala e o livro disponível, então aproveitei a oportunidade para conversar com as crianças sobre bulling e a importância do respeito”, explicou a professora Monalisa Campos Luiz.

César Felipe Barbosa Pires, de 8 anos, diz que não se lembra de ter sofrido preconceito, mas quando levou o livro e o boneco Carlinhos para casa, a mãe lhe contou que já tinha sido discriminada por ser negra. “Quando ela estava na escola, disse que outras crianças a magoaram”, disse. Para César, o boneco Carlinhos e o livro podem ajudar muita gente a “entender que não pode maltratar, xingar e excluir alguém porque ela tem alguma diferença”, discursou aos colegas da classe.

A professora contou também que além descobrir o que é preconceito, os alunos também estão adotando o comportamento correto. “Quando começaram a identificar as atitudes erradas, passaram a ter um comportamento melhor, isso ficou claro na classe e também no pátio da escola”, disse ela. Com essa proposta de identificar situações de discriminação, Tales Antônio Ribeiro da Silva, de 8 anos, está otimista, apostando que cada vez mais as pessoas vão aceitar as diferenças. “Me contaram que antigamente, muita gente não queria ser amigo de pessoas negras e hoje não é mais assim, eu não sou assim”, garantiu.

Projeto

Além das leituras e discussões em sala de aula sobre as lições aprendidas com Carlinhos, personagem do livro, o projeto também vai para a casa, para que as famílias possam participar. Cada dia uma criança leva o livro e o boneco de pano para o lar afim de fazer a leitura com os pais. Junto, segue uma folha explicando o projeto e pedindo para que sejam registradas as atividades feitas em casa. “As crianças gostam, mas os pais também estão muito satisfeitos com a ideia de aprender sobre um assunto tão importante com a ajuda do livro e do nosso bonequinho”, contou a professora.

“Pretinho, meu boneco querido”

O livro que deu origem ao projeto da escola de Votorantim conta a história de Nininha, uma menina que tem uma coleção de bonecos que ganham vida. Pretinho é o boneco favorito e desperta ciúme nos demais, que o maltratam quando Nininha não está por perto. Por causa disso, ele vive chorando escondido no armário. Cansado do preconceito, o boneco pede para Nininha mudar seu nome para Carlinhos e tem muito orgulho do novo nome.

Meu coração tem lugar,
para todos a quem se ama.
Quanto mais amor se tem,
quanto mais gente para amar,
maior fica um coração.
Um coração não vê, não entende,
não é razão…
Gosta muito de carinho, adora sorrir e fazer
o outro sorrir.
Meu coração é assim,
cheinho de amor!
Meu coração é tão grande!
E tem sempre lugar
para todos
a quem eu amo.
(Pretinho, meu boneco querido. Editora do Brasil. 39 páginas.)

Notícia publicada na edição de 15/09/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4/5 do caderno Cruzeirinho – o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

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