Menina mobiliza colegas para conseguir cadeira de rodas para creche

MINEIROS DE OURO »Garota do bem

Menina de 9 anos mobiliza amigos e escola para ajudá-la a encher 80 garrafas PET com lacres de latinhas que serão trocadas por cadeira de rodas para uma creche da capital

Fonte Aqui / Uai Publicação: 26/10/2013 04:00

Um, dois, três, 40, 50, 999… Embora seja apaixonada por matemática, a mineira de Belo Horizonte Julia Fernandes Rodrigues Macedo, de 9 anos, ainda não conseguiu fechar a conta do lacres de latinhas de refrigerante e cerveja que já enchem mais de 70 garrafas PET com capacidade para dois litros. Ela precisa de 80 garrafas cheias para trocar por uma cadeiras de rodas, que será doada à Creche Tia Dolores, instituição com sede no Bairro Saudade, Região Leste da capital, que acolhe crianças carentes com paralisia cerebral. “É apenas uma gentileza”, diz a menina de poucas palavras e de sorriso iluminado.
O que despertou o ato solidário em Julia? Simples: gentileza atrai gentileza. Os pais, Nelson Flaviano de Macedo e Ivete Rodrigues de Macedo, pequenos empresários, fizeram uma doação em dinheiro à creche. O agradecimento chegou à família em carta. Não uma correspondência comum, mas impressa em bonequinhos de papel. Aqueles, que, recortados, ficam de mãos dadas. Com certeza, arte feita pelas próprias crianças da instituição. Uma maneira de estimular a atividade cerebral.
A menina ficou encantada e quis retribuir, mas como? Pesquisa na internet a levou ao site do Rotary Club de Blumenau (SC), parceiro da promoção de uma empresa para a doação de cadeiras de rodas. Os lacres são derretidos para fabricação das rodas das cadeiras doadas. Duas ações em uma só: reciclagem e benevolência.
Julia não perdeu tempo. Nem sequer parou para pensar o trabalho que lhe daria encher as 80 garrafas de plástico com os pequenos lacres. “Depois de 25 dias, não havíamos chegado nem à metade da PET. Eu dizia que a garrafa estava quase vazia”, conta Nelson. Mas a Julia, com os olhos cheios de brilho, respondeu: “Não, pai. É diferente, a garrafa está quase cheia”. O empresário, então, se encheu de coragem para ajudar a menina a levar o projeto adiante.
Julia é aluna do 3º ano do ensino fundamental da unidade Coração Eucarístico do Colégio Santa Maria. Sua decisão contagiou colegas, professores, diretora e até os funcionários da cantina. E a coleta de lacres aumentou consideravelmente. “Nas festas da escola, como a junina, é grande a arrecadação”, diz a mãe, Ivete. Até o último fim de semana, menos de quatro meses depois, faltavam apenas seis garrafas cheias para completar o lote. São pelo menos 550 lacres em cada recipiente. A menina guarda o material na sede da empresa do pai, no Bairro Glória, na Região Oeste.
Também com ajuda dos pais, ela produziu um folder, ilustrado, com este texto: “Venha fazer o bem. Vamos juntos recolher o maior número possível de lacres de latinhas para trocar por cadeiras de rodas. A cada 80 garrafas PET de dois litros cheias, conseguimos uma cadeira de rodas. Entre nessa corrente. Faça sua parte. Não custa nada e ainda faz bem”. Não precisava tanto, porque a simples ação foi o suficiente para conseguir apoio dos colegas e mestres.

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