Irmãos criam monociclo para levar o pai que não anda para as corridas

Fonte: Globo Esporte

Era um domingo qualquer para a família Guimarães, de São João Del Rei, Minas Gerais, até começar o quadro Planeta Extremo, do Fantástico, da TV Globo. Inspirados pelareportagem que mostrava o desafio encarado pelo repórter Clayton Conservani no Deserto do Saara, os irmãos Gabriel e Daniel viram que seria possível recuperar o sonho do pai, Luiz Guimarães, de 55 anos, afetado por uma encefalite aos 25 anos. Há um ano, ele teve umaisquemia que o deixou incapaz de andar e se movimentar. Atleta do Exército, ele praticava  tênis, vôlei, basquete, polo, natação, ciclismo e atletismo, mas acabou impossibilitado de continuar sua missão como militar e manter a rotina esportiva de que tanto gostava.

Luiz Cadeirante Eu Atleta (Foto: Fernanda Cansanção)Luiz com os filhos Gabriel e Daniel, no XTERRA Estrada Real, Tiradentes – MG (Foto: Fernanda Cansanção)

Luiz tinha apenas 25 anos quando a encefalite (doença rara, caracterizada por inchaço e inflamação do cérebro) foi descoberta. Diversas sequelas o afetaram e o impediram de seguir a carreira militar. Hoje, aos 51 anos, depende de outras pessoas para praticamente tudo. Uma possível solução estava no programa, quando Clayton encarou os 246km da Maratona de Sables, no Saara, e apresentou a causa de um grupo de bombeiros franceses que correram com cadeiras adaptadas. Os bombeiros se revezavam para carregar seis jovens com paralisia cerebral e dificuldades de locomoção pela prevenção da doença no mundo. Com a ideia vinda da reportagem, os irmãos não hesitaram em pedir ajuda aos amigos da faculdade para levar o pai de volta às provas com um projeto parecido.

Proporcionar ao meu pai a felicidade de um momento único de interação com o esporte e a natureza transcende qualquer sentimento grandioso que já senti até hoje”
Gabriel Guimarães

A ideia inicial era desenvolver dois monociclos. Um para o Luiz e outro para um grande amigo da família, o Alessandro Pinho, que apresenta dificuldades de locomoção. Alex, que é deficiente visual, também foi convocado para fazer parte do grupo.

Ao receber a proposta dos filhos de Luiz, os estudantes de Engenharia Mecânica Lucas Andrade e Ricardo Kersul, ambos de 21 anos, da Universidade Federal de São João Del Rei, não temeram o desafio. Depois de muita pesquisa, começaram a desenvolver o projeto e, quatro meses depois, o tão esperado monociclo ficou pronto. O teste foi feito pelo próprio Gabriel, nas escadas e corredores da Universidade.

– Nunca havíamos participado de um projeto deste porte. Foi sensacional. Desenvolver o monociclo foi incrível, tínhamos que adaptar as necessidades físicas do Luiz e financeiras da família – afirmou Lucas, amigo de infância de Gabriel.

Devido às dificuldades para projetar o monociclo individual adaptado à necessidade de cada um, só foi possível fazer o de Luiz. Mas Alessandro não se intimidou e, mesmo com as dificuldades, aceitou participar da prova. Formar a equipe para carregar o monociclo e guiar Alessandro e Alex não foi uma missão fácil. A ideia era reunir não só pessoas que amam o esporte, mas tinham alguma afinidade e admiração pelos irmãos. Juntaram 22 amigos para integrar a “ALA Especial”, nome criado com a inicial dos nomes de Alessandro, Luiz e Alex.

No XTERRA Estrada Real, que aconteceu no mês passado, em Tiradentes, Minas Gerais, os irmãos realizaram o sonho de levar o pai novamente a uma competição.

Luiz Cadeirante Eu Atleta montagem (Foto: Arquivo Pessoal)O retorno às corridas foi no XTERRA Estrada Real, em Tiradentes, onde estava presente o repórter Clayton Conservani , que apresentou na TV, o projeto que inspirou os irmãos (Foto: Arquivo Pessoal)

– A parte mais emocionante foi quando subimos ao pódio.  Na hora em que ele levantou os braços e sorriu eu senti que o objetivo realmente tinha sido alcançado. Aí foi só emoção! – declarou Gabriel.

O grupo promete não parar por aí, e o desafio está apenas começando. O “ALA Especial” se prepara para um passeio na Serra de São José, em Tiradentes, e um voo de parapente naSerra das Carrancas, também em Minas Gerais.

– O monociclo ficou perfeito e foi projetado para durar muitos anos. Vamos levá-lo a outras provas sim, talvez mais longas. A próxima aventura será levar o meu pai para dar um passeio com o monociclo no alto da Serra de Tiradentes, que tem um visual deslumbrante. Também vamos levá-lo para um voo de parapente na Serra de Carrancas. Mostrei a ele um vídeo de um voo que eu mesmo fiz tempos atrás e perguntei se ele queria voar. Ele disse que sim, com a cabeça – finalizou Gabriel, emocionado.

Luiz Cadeirante Eu Atleta depoimento (Foto: Reprodução / Facebook)No Facebook, Gabriel agradeceu aos amigos envolvidos no projeto (Foto: Reprodução / Facebook)
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