De onde vem a Tina Descolada? Por Marta Alencar

Por Sônia Pessoa

Conheça a história da nossa nova colunista… a Tina Descolada é uma boneca muito bacana, fashion, e que gosta de ter acesso a todos os lugares e prazeres da vida. Para isso, ela sempre dá um jeitinho de passear e nos mostrar que são muitos os obstáculos por aí, que muito ainda precisa ser feito para garantir acessibilidade às pessoas com mobilidade reduzida ou cadeirantes. A partir de agora, a Tina Descolada vai desfilar por aqui toda terça-feira… E você conhece a história dela? Leia abaixo o texto da Marta Alencar, que criou a Tina.

Por Marta Alencar…

Para se iniciar minha coluna, penso que é um cuidado situar para os futuros seguidores o alicerce que serviu de base para a construção desse projeto: “Tina Descolada”.

Nossos pensamentos, valores, crenças, escolhas e estrutura psíquica são desenvolvidos desde os primórdios de nossa vida.

Para entender quem é a Tina, é preciso saber um pouco sobre a Marta; seus valores, suas crenças… a idealizadora.

Nasci em uma fazenda no norte de Minas Gerais e a minha infância foi de pleno convívio com a natureza e com as coisas simples da vida, sem luxo, sem tecnologia. Apenas um rádio onde era preciso imaginar aquele cenário descrito e personagens de novelas que ouvia ao lado da minha mãe enquanto trabalhava em sua máquina de costura. Sem brinquedos comercializados, era necessário construir e imaginar tudo a partir de objetos pouco estruturados e isso era feito com prazer e criatividade.

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Escolhi a profissão de psicóloga mais por intuição do que pela razão.

Desde o sexto período iniciei minha trajetória profissional, a qual sigo até hoje: escutar e promover o crescimento para a inclusão social das pessoas com deficiência. Trabalho em prol da promoção humana.

Nos 30 anos de atuação provavelmente convivi com a maioria das deficiências. A rica experiência em sintonia com a indignação frente às injustiças, preconceito e discriminação que essas pessoas me relatavam serviram de molas propulsoras.

Minha inquietação não me permitiu ficar em silencio e usei do meu poder transformador para ser um agente de inclusão. Saí das 4 paredes da clínica para desenvolver projetos onde pudesse transformar essa realidade.

Iniciei com a fotografia, criando imagens inclusivas das crianças da instituição onde trabalho através de exposição de fotos; lançamento de livro (Inclusão: Olhares e possibilidades); Blogs: Tina Descolada,   Alta Estima – fotografia Inclusiva e iniciando o projeto “Passarela Inclusiva” – desfile de moda com a diversidade na passarela.

A personagem Tina descolada que vem a ser a “editora” dessa coluna é uma agente de inclusão, que veio para sensibilizar crianças e adultos com e sem limitações /deficiências.

Foi baseada intuitivamente no personagem anão do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Um recurso que Amelie usou para provocar o pai a sair do seu “ensimesmamento” foi pedir para uma amiga comissária de bordo levar o anão de jardim do seu pai, para todos os lugares para os quais viajava. A amiga enviava pelo correio, as fotos do anão em vários lugares do mundo.

O papel principal da Tina Descolada, como agente de inclusão, é provocar o empoderamento nas pessoas com deficiência e levar um sensível recado a todos: no reino imaginário podemos tudo, no reino da realidade cada um deve saber e lutar pelo seu possível.

  • * As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade da colunista.
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