Ser diferente é fashion, por Mariana Silva

 

O poder das cores na moda, também para quem não as vê

A maioria das pessoas sabe que as cores são parte fundamental na montagem de um look interessante e harmonioso. Cada uma representa um sentimento, ou significam alguma coisa para quem usa. Além disso, a escolha adequada das cores contribuí para que a pessoa consiga brilhar, literalmente. O contrário também acontece; se você escolhe um tom que não combina com sua pele, o resultado é anulação do visual.

Não pare de ler a coluna porque já entende, e vivencia, tudo que digo. Afinal de contas, não são todos que conseguem visualizar o poder das cores porque alguns nunca viram nenhum dos tons que tanto apreciamos. Já parou para pensar como se vestem as pessoas que nasceram cegas e, consequentemente, não tem guardadas na cabeça sequer uma referência disso tudo?

Essa dúvida andou me afligindo um bocado então comecei a procurar na internet relatos de pessoas que consigam lidar amistosamente com a moda e com suas enormes opções de cartelas de cor, mesmo não tendo luz nos olhos para vê-las. Encontrei a história do empresário Carlos Wolke e do estilista Geraldo Lima.

Carlos, 39 anos, sempre quis se vestir melhor, mas não sabia como. Então encontrou uma forma de se colocar no mundo, do ponto de vista fashion: contratou uma personal stylist que organizou seu guarda-roupa, montando looks que combinam entre si. Para facilitar mais a vida, plaquinhas em Braille foram colocadas nas roupas, com a descrição de cada peça.

Da outra ponta da cadeia está Geraldo, dono da marca Urânio, que produz roupas com matérias texturizados, como veludas ou estampas em relevo, para que as pessoas que não veem consiga identificar de que tecido a roupa que vão comprar é feita. Além disso, todas as mercadorias da marca são identificadas com plaquinhas em Braille, com a descrição precisa da peça.

Para haver inclusão, não basta apenas a consciência sem ação. É preciso força de vontade, principalmente das indústrias. Acho que, com boa vontade, todo mundo consegue incluir todo mundo. Também na moda. As pessoas podem não ver as roupas, mas a sensação de estar bem consigo mesmo não tem cor. É apenas um sentimento bom, reconfortante, que merece ser vivido por todos, independentemente do que veem.

*Mariana Silva (Idealizadora do Blog http://naoesobremoda.wordpress.com, é colaboradora de http://www.tudobemserdiferente.com. Jornalista, 24 anos, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para ela, moda é uma futilidade necessária e um fenômeno sociológico interessantíssimo; “o legal é quando fazemos a moda trabalhar a nosso favor, ficar dependente dela não faz bem”). Tem displasia Óssea, síndrome que afeta o crescimento e a resistência dos ossos de todo o corpo. Escreve Ser diferente é fashion para http://www.tudobemserdiferente.com toda quinta-feira. As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade da colunista.

 

Anúncios