Como escolher uma escola ideal para o filho especial? Por Cristina Silveira

image_1366156635352294A ESCOLA IDEAL PARA MEU FILHO ESPECIAL

Fim do ano chegando…  e  a insatisfação é geral com a atual escola dita  “ inclusiva”  dos  filhos.    O que fazer?

Em primeiro lugar, devemos  nos lembrar que nenhuma escola está realmente pronta para a inclusão, em toda a sua excelência. TODAS, sem exceção, estão lidando com as dificuldades de não saberem lidar com nossas crianças de inclusão. Mas, a grande maioria, está  tentando acertar.

Sabemos da existência de várias Leis, normas e orientações já existentes sobre a educação inclusiva. Mas temos certeza da necessidade de criação de mais algumas Leis direcionadas para objetivos específicos, mais focadas nas práticas pedagógicas e com punições efetivas para o descumprimento das mesmas.

Sabemos ainda que estas Leis deveriam ser cumpridas pela escola, numa demonstração do seu dever moral e da sua decência para com a criança especial. Mas também sabemos que se a instituição escolar não cumprir a Legislação, o único Órgão que poderá cobrar o seu cumprimento é o Ministério Público e a Defensoria Pública. E nesses casos, algumas famílias preferem desistir da cobrança e retirar os filhos da escola , a ter que enfrentar idas e vindas aos ditos Órgãos. Ou mesmo, ficam temerosas com a reação da escola, uma vez que em muitos casos, os filhos ainda estão lá matriculados, preferindo assim não se indisporem com a instituição escolar.

Então, como não errar na escolha?

Em minha experiência, deve ser realizada uma boa pesquisa junto às famílias e grupos de apoio às crianças, consultando os técnicos e a psicopedagoga do seu filho. Em seguida, não poupe as visitas às instituições. Procure verificar tudo! Cada detalhe, a metodologia e a técnica de inclusão utilizadas com as outras crianças.

Em minha experiência sobre o assunto, proponho que seja  verificado os seguintes itens:

1)      A escola realiza uma flexibilização curricular?  Ou seja, adapta o conteúdo pedagógico às necessidades da criança?

Esse item é importantíssimo, porque sem essa flexibilização que se dá através da aplicação do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual, algumas crianças não absorvem o conteúdo pedagógico.

2)      A escola possui um núcleo de inclusão, para que possa apoiar a criança na inclusão social?

O núcleo de inclusão pode ser composto de uma ou mais profissionais que apoiam a criança durante o período em que ela está na escola. È ao núcleo que a criança se encaminha quando tem alguma dificuldade de inserção social, quando não compreende as regras e normas, ou quando está sofrendo bullying.

3)      A criança possui uma sala específica para que a criança possa obter apoio necessário , quando o conteúdo da sala de aula regular não puder ser acompanhado por ela?

Essa sala, que nas escolas públicas se chamam AEE – Atendimento Educacional Especializado, é muito importante. É nela, que as crianças podem ser trabalhadas e desenvolver algumas habilidades que às vezes não podem ser trabalhadas em sala de aula, com outras crianças.

4)      A escola trabalha em parceria com os técnicos que atendem as crianças de inclusão?

Muitas escolas não permitem que os técnicos tenham acesso à rotina da criança, para que não precisem realizar as modificações necessárias. A escola deve ser parceira dos técnicos, porque são eles que vão orientar e ajudar a escola a montar o PDI. Psicólogos, Terapeutas Ocupacionais, Fonoaudiólogos, etc são profissionais importantíssimo e podem ajudar muito no desenvolvimento da criança no ambiente escolar.

5)      A escola produz materiais alternativos e oferece avaliação diferenciada para a criança?

Item MUITO importante. Os materiais adaptados são altamente necessários em alguns casos. As crianças com deficiência cognitiva apresentam maneiras diferenciadas de aprender e em muitos casos, a forma convencional não as ensinam o conteúdo pedagógico!

6) O professor é participativo? Interessado? Tem algum curso de especialização na área ou tem experiência?

Sem isso, não teremos como incluir uma criança especial na escola…. O professor é peça fundamental nesse processo. Observe bem a postura desse profissional, consulte os pais de crianças matriculadas, peça para conversar com a profissional. Avalie e confie !

7)      Observe como funciona o sistema de avaliação e adaptação de provas na escola. As provas podem ser modificadas, mantendo o conteúdo básico, exigido pela Secretaria de Educação.  E as crianças especiais têm direito a passarem para o ano subsequente através da “ terminalidade especiífica” .

Fica a dica!

* Cristina Silveira é psicanalista, psicopedagoga e educadora, especialista em neuropsicopedagogia, arte-terapia e psicologia do trabalho. Tem formação em educação inclusiva (TDAH, autismo, Síndrome de Down) e atualização em artes plásticas e saúde mental. Idealizadora do Movimento Resgatando a Infância. Ela escreve quinzenalmente para http://www.tudobemserdiferente.com.

** As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

 

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