Alunos da Apae de Mogi das Cruzes vão à praia pela primeira vez

Excursão levou 120 pessoas a Bertioga (SP) na quarta-feira (23).

Para psicóloga, estímulos do contato com mar são importantes.

A menina Talita, aluna de Mogi que estava ansiosa para entrar na água em Bertioga. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)A menina Talita foi à praia pela primeira vez nesta quarta-feira. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)

O barulho manso das ondas, as pegadas na areia molhada e “esse cheirinho gostoso de mar” eram novidade para a dona de casa Nívia Maria Sales Almeida. Nesta quarta-feira (23) ela e sua filha Talita, de 22 anos, foram à praia pela primeira vez graças a uma excursão da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Mogi das Cruzes (SP). Dona de casa, Nívia se divide entre os cuidados com Talita – que tem paralisia cerebral – e o trato das galinhas e da horta que cultiva no sítio em Biritiba Mirim, onde vivem. “Ela tem que sair um pouco de casa, conviver com pessoas diferentes. Quando a Talita ficou sabendo da viagem ficou muito entusiasmada”, conta Nívia. A cidade escolhida para o passeio foi Bertioga e outros 55 alunos da entidade mogiana participaram.

Talita, aluna de Mogi, canta e bate palmas no mar, em Bertioga. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)
Talita, aluna de Mogi, canta e bate palmas no mar.
(Foto: Pedro Carlos Leite/G1)

Talita se acomodou em uma das cadeiras anfíbias oferecidas pela Prefeitura local. O equipamento permite que pessoas com dificuldade para se locomover possam entrar no mar. “Vamos comigo? Você dirige comigo?”, pedia a menina aos profissionais da Apae que passavam protetor solar nela. O tempo aberto e as marolas da praia do Indaiá eram ideais para quem via o mar de perto pela primeira vez. “Estou gostando muito. Quero ir na água!”. Talita estava ansiosa e não se decepcionou. Cantou e bateu palmas dentro do mar, sempre a bordo da cadeira.

A filha de Nívia caminha e não usa cadeira de rodas no dia a dia, porém a cadeira anfíbia é importante para dar mais segurança. “Às vezes a pessoa sente mais confiança entrando no mar com a cadeira primeiro e depois se solta e desce. Vir para a praia é bom para quem é portador de deficiência pois há vários estímulos. Há o contato social com as outras pessoas, além de sentir a maré batendo no corpo, pisar na areia. Isso estimula o equilíbrio. Mesmo nos casos de paralisia cerebral severa a pessoa pode sentir as diferentes texturas, o liso, o áspero. Isso faz muito bem a todos”, comenta a psicóloga da Apae Emília Eiko Ono.

É o caso do garoto Guilherme, de 12 anos, que também veio pela primeira vez à praia. “Ele gosta de água. Faz hidroginástica e fica bem tranquilo. Acho muito bom o passeio”, comenta a mãe do menino, Maria José Daniel Calado. Moradora do Distrito de Jundiapeba, em Mogi, Maria José se dedica exclusivamente a Guilherme, que tem paralisia cerebral em grau avançado, e conta com a ajuda do filho mais velho, de 16 anos.

Alunos da Apae de Mogi com as cadeiras anfíbias. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)Alunos da Apae de Mogi com as cadeiras anfíbias. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)

Sem medo do mar
A dona de casa Regina Célia de Moraes achou que a filha Ana Júlia, de 4 anos, ia ficar com medo de entrar no mar. Portadora de síndrome de Down, a menina era só alegria na água. Regina mora em Guararema e é outra mãe que leva a filha todos os dias à Apae mogiana, onde ela faz atividades para desenvolvimento intelectual e motoro. “É uma luta. A gente vai de segunda a sexta, das 13h às 17h, mas vale a pena. Ela está se desenvolvendo bem. É bem tranquila na escola. Em casa ela é mais agitada, mas não muito. A Ana Júlia é a caçula, tenho filhos de 15 e de 7 anos. Considero ela normal, faz tudo o que os outros meninos faziam”, comenta.

O comerciante de Mogi Cláudio tomando banho de mar com o filho em Bertioga. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)
O comerciante de Mogi Cláudio tomando banho de
mar com o filho em Bertioga.
(Foto: Pedro Carlos Leite/G1)

Carregando o filho de 7 anos no colo, o comerciante Cláudio Ferreira Soares Júnior sabia que logo mais teria que voltar à agua com a criança, que já reclamava da rápida pausa no banho de mar. Ele, o menino – que também se chama Cláudio – e a esposa estão acostumados a ir à praia. O garoto é cadeirante e adora o passeio. “Toda vez que entra na água ele não quer sair. Eu acho ótimo ter estas excursões porque tem muita criança que não tem essas oportunidades, nunca foi à praia. Isso aí é muito bom”, opinou.

Entre alunos, familiares e funcionários da Apae, a excursão reuniu 120 pessoas e encheu três ônibus. Foi a primeira vez que a entidade mogiana levou seus alunos à praia. “Nosso objetivo é fortalecer os vínculos entre pais e filhos, fazer a inclusão social e dar mais qualidade de vida a estas crianças”, explicou a assistente social e coordenadora do passeio Neusa Campos Bueno.

Alunos da Apae de Mogi tendo o primeiro contato com o mar. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1)Alunos da Apae de Mogi tendo o primeiro contato com o mar. (Foto: Pedro Carlos Leite/G1).

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