Mamãe Down Up, por Ana Flávia Jacques

Tempo de mudanças

Recentemente, eu tomei uma decisão importante. Decidi reformular toda a minha rotina e comecei pela vida profissional. Não estava satisfeita com a correria, com a falta de tempo e não estava me sentindo bem no trabalho. Como consequência, achava que não estava dando a devida atenção à Maria Fernanda. Desmotivada, tomei uma decisão radical: pedi demissão.

Os questionamentos vieram como uma enxurrada. “Você vai se dedicar à pequena?”, “vai ficar em casa pra cuidar dela?” Não! Acho que não seria uma boa saída pra minha saúde emocional ficar em casa o dia todo depois de 13 anos de vida profissional. Eu continuo existindo, certo? E para o próprio bem-estar da nossa pequena Cereja eu preciso estar inteira. Não estando bem, mesmo que o meu tempo fosse só dela, não significaria que o nosso contato teria mais qualidade e correríamos o risco de por em xeque o nosso vínculo precioso.

EuECherryMontagem

A decisão de deixar o antigo trabalho foi baseada no egoísmo fundamental para a existência de qualquer ser humano: eu estava infeliz e queria mais tempo, e ansiava por novos desafios profissionais e pessoais. Mas, sim, tem a ver com a preocupação em não ter acompanhado tão de perto o desenvolvimento e o desabrochar da nossa flor nos últimos tempos. Coisas de mãe!

Com a mudança na carga horária diária de trabalho, estarei mais bem disposta para ter mais tempo (com qualidade) ao lado da Maria Fernanda, além de poder desenvolver alguns projetos sociais relativos à causa da Síndrome de Down.

Com a alma limpa, gosto de coisa nova, renovada, mais madura, terei a possibilidade também de administrar um pouco melhor o tão sonhado tempo. E quando se tem a certeza de que se está fazendo a coisa certa, o universo todo conspira a favor! Eu até consegui uma semana de folga para levar a pequena pra passear! Pouco tempo? O suficiente para perceber que não tenho mais um bebê em casa. Tenho uma mocinha, que a cada dia me mostra algo diferente, uma emoção nova e o quanto é uma honra ser mãe dela! Se a nova rotina vai ser melhor? Sei lá… o tempo dirá!

“Não é exagero afirmar que o tempo é a mais poderosa de todas as forças, capaz de causar profundas transformações em tudo o que existe, de pequenos roedores a enormes montanhas cobertas de gelo”, (documentário “Magia do Tempo”, BBC e Fantástico)

 

Ana Flavia Jacques, jornalista e mãe de primeira viagem da Maria Fernanda, a Cerejinha Baby, uma linda e doce garotinha com síndrome de Down. E-mail: anaflaviajacques@yahoo.com.br

Facebook: https://www.facebook.com/CerejinhaBaby?ref=hl

** As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

 

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