Papo de Pai, por Carlos Wagner Jota Guedes

galo 2Aprendendo futebol através dos números e os números através do futebol

*Carlos Wagner Jota Guedes

Desculpem minha ausência na semana passada, mas é que a vida anda tumultuada e nem todos os dias tenho conseguido encontrar as palavras, as sentenças, as frases, os textos. Porém, acho que hoje saiu uma pequena história.

Já escrevi em outro momento como o futebol eclodiu na vida do João este ano. É impressionante como de um passo a outro o João encontrou um objeto em que sua identificação fosse realmente forte. Embora suas oscilações para agradar outros torcedores, ele parece ser um atleticano convicto. Conhece até os jogadores reservas do time. Dia desses jogando o FIFA2014 ele decidiu substituir o Vitor (atual goleiro titular do atlético) pelo Lee (segundo goleiro reserva). Disse que gostava mais do time com aquela escalação.

Na festa de acolhida de amigos, que estavam há 7 anos fora do país, decidiu cantar o hino do galo, dar cartão vermelho e amarelo para os torcedores rivais e entrar na brincadeira das gozações. Foi uma verdadeira festa.

Hoje raramente o João me pergunta qual o placar de um jogo na televisão. Ele já conseguiu entender a lógica do placar expresso no canto superior da tela. Quando acontece de termos times da primeira divisão do campeonato brasileiro, e alguns da segundona, o João já sabe quem está jogando pelos escudos dos times, por vezes, consegue saber quais são os times ao ler o que está escrito. Seu interesse é completado por querer saber quem é o mascote do time e quem vai ser o árbitro. Por acompanhar muitos jogos com o avô, já xinga juiz, discute se estava ou não impedido, se foi falta ou não. É claro que nem tudo é tão certo como essa história que conto, mas é evidente que ele já aprendeu que o futebol é um valor para a comunidade que o cerca.

 

Porém, esses dias notei uma coisa espetacular aos meus olhos: o João está fixando mentalmente os números com o auxílio do futebol. Por exemplo, falávamos sobre números que existem com a presença do número nove. Ele imediatamente falou 99 (assim mesmo, noventa e nove) do Dátalo (jogador que veio recentemente do Inter de Porto Alegre para o Galo). Pedi para ele escrever 99 e ele escreveu. Fazendo para casa, ao escrever a data 12/11, ele disse: 12 (Cássio do Corinthians), 11 (era do Bernard, mas agora que ele não joga mais no galo ficou com Fernandinho). Fazendo um calendário aqui para casa discuti com o João quantos dias a semana tem, contamos e ele disse 7, igual o número do Jô. Aliás, graças ao Jô consegui mostrar ao João que quando as letras J e O se juntam temos o som JO. Foi uma das primeiras incursões pelo campo da aglutinação de letras.

Ao mesmo tempo o João foi absorvendo que determinados números somam maiores quantidades que outros. Por exemplo, jogo pela 36º rodada do campeonato brasileiro, Atlético Mineiro e Goiás. O placar 4 x1. Ele me disse que o Atlético venceu porque fez 4 gols e que 4 é mais que 1. Ainda neste contexto o João vai aprendendo que existe uma hierarquia que vai se consolidando ao longo do campeonato. De uma tabela que começa com o time que está na posição 1 e termina com o time que está na posição 20. Que existe uma ordem decrescente nesta tabela e que o bom é ficar mais próximo da posição 1.

 

Por algum motivo o futebol ficou significativo para ele e se transformou num mecanismo de aprendizagem com resultados além do futebol.

 

*Carlos Wagner é graduado em Ciências Sociais e mestre em Sociologia. É entre outras coisas pai do João. Assina a Coluna Papo de Pai, publicada toda quarta-feira em http://www.tudobemserdiferente.com

** As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

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