Faltam auxiliares para alunos com deficiência em salas de aula

Dos 462 estudantes deficientes que frequentavam as escolas, creches e salas de atendimento especializado no ano passado, 140 contavam com o apoio de 68 auxiliares de classes

 
Secretário José Simões: Prefeitura trabalha na readequação do quadro –


Sabrina Souza / Jornal Cruzeiro do Sul
sabrina.souza@ jcruzeiro.com.br

programa de estágio

Desde o início do ano, cerca de mil crianças com deficiência física ou mental foram matriculadas na rede municipal de ensino de Sorocaba, número que representa um aumento de 116% no atendimento a esses alunos em relação à 2013. Dos 462 estudantes deficientes que frequentavam as escolas, creches e salas de atendimento especializado no ano passado, 140 contavam com o apoio de 68 auxiliares de classes especializados – casos de crianças que não possuem total autonomia para desenvolver as atividades escolares. Apesar do aumento da demanda de alunos com esse perfil, o quadro de 68 auxiliares foi mantido no início desse ano letivo, o que tem provocado a falta de profissionais na rede.

Uma das unidades que iniciou o ano letivo de 2014 sem os auxiliares é a Escola Municipal Quinzinho de Barros, na Vila Hortência. “Logo no primeiro dia de aula fomos informados que a Prefeitura tinha cortado os auxiliares”, conta o corretor de imóveis Marcos Antônio Martins Pereira, pai de uma aluna com deficiência, matriculada no terceiro ano do ensino fundamental. “Fico preocupado com o aprendizado da minha filha, porque os professores não dão conta de cuidar da sala inteira, ainda mais se tratando de uma criança especial”, afirma. A filha de Marcos estuda com outras cinco crianças com deficiência, sendo que uma delas usa cadeira de rodas.

A mesma situação atinge a Escola Municipal Maria Ignês Figueiredo, no Mineirão, onde estudam pelo menos dez crianças com deficiência. Uma delas é o filho da dona de casa Cíntia de Oliveira. “Meu filho tem nove anos e ainda não sabe ler nem escrever, e essa situação só vai piorar sem a presença dos auxiliares”, comenta ela sobre o aluno com paralisia cerebral. Também nesta unidade, a falta ocorre desde o início do ano letivo e o aviso foi feito pela própria diretoria. “Quando matriculei o Igor aqui já foi uma luta para conseguir auxiliar na classe dele e agora eles tiram sem dar nenhuma satisfação”, reclama.

Readequação do quadro

O secretário municipal de Educação, José Simões de Almeida Júnior, informou que o quadro de auxiliares de classe especializados que atuam na rede municipal será readequado até o fim de março. Segundo ele, a contratação de mais profissionais deverá também suprir a necessidade de todas as unidades de ensino, já que algumas delas, que já contavam com o apoio dos auxiliares no ano passado, começaram suas aulas sem a presença desses funcionários. O secretário alega que isso ocorreu por conta da chama “realocação”, através da qual o auxiliar escolhe se irá continuar trabalhando na mesma unidade ou se prefere ser transferido para outra. “O número de auxiliares não diminuiu, porém algumas escolas estão sem porque eles podem escolher onde querem exercer suas atividades”, explica.

Simões esclarece que o problema enfrentado por algumas unidades só poderá ser resolvido com a contratação dos novos profissionais, cujo número exato depende ainda de uma análise de quantos alunos com deficiência – dos mil matriculados – apresentam a necessidade de apoio de auxiliares. “Estamos trabalhando nisso há mais de 15 dias e pedimos paciência aos pais, pois até o fim de março a situação estará normalizada”, diz. “Além disso, o atendimento feito pelos auxiliares não é individualizado, e isso também precisa ser levado em conta para as próximas contratações”, ressalta. Depois da contratação, esses profissionais deverão ainda passar por treinamento voltado ao atendimento aos alunos especiais.

Aluno educador do aluno

Além do emprego de novos auxiliares de classe, o secretário afirma trabalhar ainda em outro projeto voltado aos alunos com deficiência. “Serão mais de cem profissionais que estamos chamando de aluno educador do estudante com necessidade especial e que se efetivará por meio de uma parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE)”. Esse processo deverá ser concluído até o meio do ano, data em que o secretário espera normalizar o atendimento em toda a rede municipal. (Supervisão: Rosimeire Silva)

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