SUPERDOTADOS ESTÃO INCLUIDOS NA LEI DA INCLUSÃO, por Cristina Silveira

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O superdotado é aquele que quando comparado á população geral, apresenta uma habilidade superior em alguma área do conhecimento, destacando-se em uma ou várias áreas e está incluído na Lei da Inclusão.

Mas atenção! Superdotado não é aquele estudante que tem facilidade de memorizar fórmulas e decorar datas, mas é aquele que combina sensibilidade, criatividade e capacidade de criar e propor soluções novas para problemas. Ele se destaca em algumas áreas do conhecimento, que às vezes não é necessariamente na escola: podem ser na música, na física, nas artes, na literatura…. Porém há uma característica comum a todos os superdotados: é o chamado “pensamento divergente”. Eles raciocinam de maneira diferente da maioria e estão sempre buscando soluções próprias para os problemas.

Muitos superdotados são nulidades acadêmicas, simplesmente porque se entediam com a escola, mas se destacam em outras áreas. O Quociente de Inteligência (QI) foi, durante muito tempo, o principal instrumento para descobrir prodígios. Enquanto a média da população teria um QI entre 90 e 110, os superdotados estariam para lá de 130. Mas existem outras maneiras de identificação desta superdotação, porque na verdade, como já foi dito, o superdotado pode se destacar em outras áreas, porque possuímos diversas inteligências.

Quando alguma das capacidades humanas se desenvolve muito mais do que as outras na pessoa, chamamos de Assincronia. Pode aparecer em crianças que não são brilhantes academicamente, mas se destacam jogando bola. Exceto os raríssimos casos de pessoas com múltiplas capacidades, há uma habilidade predominante que se destaca das demais, em que o excelente desempenho naquele quesito se destaca.

Em alguns casos, podem aparecer na mesma pessoa em um desempenho excepcional em inteligência verbal por exemplo e com algum déficit em outra função, como a execução.  Esses são os casos que denomina-se dupla excepcionalidade.

Mas, como se identificar o superdotado?

Aplicando-se testes de inteligência (psicodiagnóstico), além das avaliações  em outras situações dinâmicas: observação do comportamento, avaliação do desempenho, questionários, entrevistas e anamneses.

Além disso, deve-se ter clareza de que o superdotado apresenta três características, que devem ser freqüentes e duradouras, assim como a intensidade, persistência e consistência. São elas: habilidade acima da média, criatividade e compromisso com a tarefa.

A pessoa com altas habilidades podem estar só um passo á frente do desempenho das em geral, ou destacam-se de maneira notável.    A ConBraSD (Conselho Brasileiro para Superdotação) ilustra:“ A habilidade superior, a superdotação, a precocidade, o prodígio e a genialidade são gradações de um mesmo fenômeno. Ou seja, Crianças precoces, prodígios ou gênios, podem ser enquadradas em um termo amplo: Altas Habilidades.”

*Criança precoce: apresenta alguma habilidade específica e prematura desenvolvida em qualquer uma área, seja: música, matemática, linguagem ou leitura.

*Criança prodígio: algo extremo, raro, único, fora do normal da natureza.

*Exemplos de gênios: Mozart, Einstein, Gandhi, Freud e Portinari, entre outros. São aqueles raros indivíduos que, até entre os extraordinários, se destacam e deixam sua marca na história.

Normalmente os superdotados também possuem essas características:

  • alto grau de curiosidade
  • vocabulário avançado para a sua idade
  • liderança e autoconfiança
  • grande interesse por um assunto e especial dedicação a ele
  • ótima memória
  • criatividade
  • facilidade de aprendizagem
  • alfabetização precoce
  • excelente desempenho em uma ou mais disciplinas em comparação a seus pares
  • habilidade para adaptar ou modificar idéias
  • facilidade em fazer observações perspicazes
  • persistência ao buscar um objetivo
  • comportamento que requer pouca orientação do professor

Mas, o que fazer com uma criança superdotada?

Não existe escola ideal para as crianças superdotadas. Por isso elas estão incluídas na Lei da Inclusão no Brasil e devem ter tratamento diferenciado nas escolas.

 

O professor deve saber identificá-las e propor atividades extras, sem sobrecarregaro superdotado com tarefas, mas sim acompanhar e oferecer subsídios para o desenvolvimento de seu potencial – lembrando que as atividades não devem estimular apenas o potencial identificado. Mesmo que a criança goste de matemática, por exemplo, o ideal é incentivá-la a estudar português e praticar esportes, por exemplo.

Não transforme a criança num pequeno adulto, mesmo que ela seja excelente

Decidir se a criança deve pular ou não um ano na escola deve considerar também a maturidade, e não apenas a habilidade do aluno. Por isso, considere com cuidado a possibilidade de aceleração porque a educação não é apenas o conteúdo, é formação e vivência.

Outro ponto importante é não incentivar a competição.

Mas as altas habilidades ou superdotação, quando não identificadas, podem trazer alguns transtornos para as famílias, a saber:

  • desinteresse pela escola
  • vulnerabilidade a críticas
  • problemas de conduta, como indisciplina
  • questionadoras das regras

Portanto, é muito importante que a superdotação das crianças seja identificada precocemente, para que a superdotação não se transforme em um problema psíquico e emocional.

Mas normalmente as crianças superdotadas necessitam de apoio emocional, porque superdotação cognitiva não abrange a questão emocional.  São extremamente inteligentes, percebem muitas coisas e muitas das vezes não conseguem elaborar as questões percebidas.

Fica a dica!

 

Cristina Silveira

Psicanalista, Psicopedagoga e Psicodiagnóstico
Neuropsicopedagogia e educação especial
Arte-terapeuta e artista plástica
Rua Gonçalves Dias, 1181/501 – Funcionários
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