O segundo professor chegou!!!! Por Sônia Pessoa

fotoLogo de manhã recebo e-mail do diretor da escola dizendo que o AVS estava lá, já na sala com Pedro, a professora e os demais alunos. Era para ter chegado ontem, mas ele só começou a trabalhar hoje. Ficamos sabendo por um e-mail de duas linhas, bem atrevido, escrito pelo diretor da escola para o órgão responsável pelos AVS (auxiliaire de vie sociale), que eu chamo de segundo professor. O email dizia basicamente o seguinte: O AVS de Pedro deveria estar aqui hoje… Em que mundo estamos? O certo é que surtiu efeito e hoje o esquema começou a funcionar.

Na hora do almoço geralmente um de nós busca o Pedro, mas hoje fomos os dois para conhecer o Manoel, que a partir de agora acompanhará o nosso filho em todas as atividades escolares. Foi um encontro rápido, na porta da escola, junto com a professora, que fez as apresentações. Mas tive tempo de perguntar o que queria, de ouvir um pouco o que ele já sabia, e dar algumas informações. Manoel trabalho por cinco anos com crianças que têm diversos tipos de necessidades educacionais especiais em uma escola maternal, que tem classes anteriores à que nosso filho frequenta, que é o CP1. Ele contou um pouco sobre a experiência com alunos que têm deficiências leves e graves e comentou sobre as atividades realizadas naquele dia com o Pedro.

Para quem acompanha a nossa estadia aqui em Paris (há vários textos publicados em Minhas Vivências) sabe que nosso filho frequenta uma escola pública desde dezembro e se adaptou bem em uma turma de 27 alunos. Já participamos de diversas reuniões com professores, diretor, equipe multidisciplinar, enfim, acredito que estamos sendo muito bem tratados e a atenção necessária às necessidades do Pedro, que são sempre tratadas como singularidades e não como problema. Na escola e nos órgãos de apoio houve uma mobilização bem interessante para que o Pedro recebesse logo o AVS porque sabem que vamos embora daqui a alguns meses. O diretor, que se empenhou pessoalmente e muito, ficou bastante surpreso com a rapidez do processo. Talvez algumas famílias reclamassem e dissessem que frequentar de dezembro até aqui sem AVS foi um longo período.

Pessoalmente achei a demora providencial. Foi nesse período que o Pedro conheceu a escola, colegas de sala e de outras turmas, que se fez conhecer, que escolheu e foi escolhido pelos colegas com os quais tem mais afinidade, que chorou um dia porque um colega tido como ‘o boy’ da turma o fez chorar por um desentendimento… foi nesse período que ele conquistou a autonomia, que mostrou do que é capaz de fazer sozinho e do que precisa de ajuda… o mais importante foi ele mostrar que tem segurança para se relacionar com a comunidade escolar, a exemplo do que fazia no Brasil, e que aprende inúmeros conteúdos, especialmente os de língua francesa, música, poesia, artes, educação física e natação, sem ajuda especial… acho que agora ele está pronto para ter, pela primeira vez, o apoio de um segundo professor.

Para usar um clichê no final desse texto que não é, de longe o final dessa história – certamente ela terá muitos capítulos – , que o Pedro continue acordando com a energia toda, com o sorriso largo, mesmo nos finais de semana, perguntando se hoje tem escola!!!!!! Isso não tem preço…

 

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