Aventuras no parque: quando discrição e anonimato fazem bem, por Sônia Pessoa

1920120_10203301613127047_375666523_nNa maioria das vezes nos parques em Belo Horizonte alguém me pergunta, na frente do meu filho ou meio às escondidas, “a idade dele e o que é que ele tem ou que ele teve”, quando percebe as dificuldades para subir em brinquedos mais altos ou que desce no escorregador devagar e inseguro, ou ainda que pensa bastante antes de encarar determinado brinquedo… e que precisa de muito, muito incentivo para brincar no parque e não ficar só olhando os outros brincarem.

Acho bacana perceber que as pessoas se preocupam mas sempre fico com aquela pulga atrás da orelha pensando que elas estão muito mais interessadas em simplesmente saber ou bisbilhotar mesmo a diferença… Na medida em que o meu filho foi crescendo e respondendo ele mesmo que idade tem e com a bela voz grossa de um menino seguro de si, as pessoas costumam ficar sem graça e dão um jeitinho de sair pela tangente: “Nossa, parece bem mais, é grande, né… E esperto, hein”… quando você lê nos olhos delas um discurso bem diferente daquele que sai pela boca…

Essa lorota toda é só para comentar como achamos que o anonimato tem feito bem… Como aqui em Paris ninguém pergunta nada sobre a condição ou a dificuldade nem se importa se eu tenho que dar um apoio para um brinquedo mais alto ou que exija mais equilíbrio, o menino está bem mais solto… nos parques ainda hesita, ainda precisa de incentivo, mas entra no meio da garotada, dos pequenos e dos grandes, brinca com meninos e meninas de todas as idades, onde se sente melhor, dependendo do dia, da inspiração, do desejo… e percebe que, por aqui, ‘as pessoas não ficam perguntando a minha idade, né, mamãe’… E foi assim, que brincando com uma criança de mais ou menos um ano e meio que ele encarou sozinho, pela primeira vez na nossa presença, um balanço…

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