Pessoas com mobilidade reduzida são + vulneráveis à violência? Os apuros da Tina Descolada, por Marta Alencar

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Tina descolada em apuros. Fantasia ou realidade?

Essa semana não poderia deixar de escrever sobre a violência da qual fui vítima no último dia 23/03 no estado de Alagoas. Um bandido arrombou o carro em que estava e levou todos os meus pertences, inclusive a Tina descolada. Muitos me perguntaram, “tete a tete” ou “in Box”, se era verdade. Entendo que essa pergunta pode passar por dois vieses: as pessoas que não me conhecem de perto e o fato da Tina ser um personagem que, muitas vezes, confunde fantasia e realidade.

Sim. É verdade. Fomos furtadas em um lugar improvável (?) será que existe esse ligar? Quero ir pra lá. Mas o ocorrido me fez refletir… O que me leva a abordar hoje o tema “Violência e a pessoa com deficiência.”

Para isso, tive uma breve conversa com amig@s da Tina que possuem mobilidade reduzida necessitando do uso do andador ou de cadeira de rodas, sobre o que eles pensam e sentem em relação à violência.

Em um senso comum, podemos considerar a seguinte premissa: “Uma pessoa com mobilidade reduzida está mais vulnerável frente a uma episódio de violência, por isso podemos pensar que elas sentem mais medo.”

Para Laura Martins (adulta),

“Não, não acho que podemos generalizar. Aparentemente, uma pessoa SEM deficiência teria mais facilidade para: nadar, viajar, arrumar um emprego, gerir uma empresa, dirigir, namorar, cuidar de filhos… Certo?  #SóQueNão

Quanta gente me diz, me vendo dirigir, que não teria coragem? Quando estou viajando sozinha, não é incomum alguém me pedir ajuda, dizendo que está viajando sozinho mas está com muito medo… E por aí vai.

Eu dirijo há 26 anos, e muitas vezes voltei para casa sozinha mais tarde. Poucas amigas minhas têm coragem de fazer isso. Poucas amigas minhas (sem deficiência) dirigem à noite ou viajam de carro sozinhas. Então, não acho que o medo é maior em relação a uma pessoa que, teoricamente, pode fugir. Será que as outras pessoas podem, de fato, fugir? Será que terão velocidade e calma suficiente para isso? E se o criminoso tiver uma arma? E se ele atirar?

E, de modo geral, parece que os criminosos tendem a se aproximar de pessoas com APARÊNCIA frágil.

Apesar de tudo isso que eu disse, sem dúvida pessoas com deficiência ficam mais expostas, porque, de fato, estão mais fragilizadas. Acho possível que o criminoso pense que é muito fácil roubar/abusar de uma pessoa que não tem como se defender.

Resumindo: não acho que o medo seja necessariamente maior, mas acho que corremos mais riscos sim.”

 

Para Beatriz Rodrigues (pré-adolescente)

“Acho que a violência deveria ser abolida tanto nos lares quanto nas ruas. E até mesmo de dentro das nossas próprias mentes, para não passarmos adiante tais pensamentos ou ideias. Não acho que meus sentimentos de medo são maiores do que os de outras pessoas, pois, acho que isso depende de como cada um enfrenta esses medos.”

 

Para João Henrique (criança)

“Acho que não, por que medo, todo mundo tem. Às vezes, se tiver um tiroteio e a cadeira de rodas for de ferro podemos usar ela (sic) para nos defender.”

– “Acho que o PCDs não devem ser ingênuos. Devem aprender a se proteger”.

-“De um modo geral, parece que os criminosos tendem a se aproximar de pessoas com aparência mais frágil” (Laura Martins)

Não ser ingênuo, não ter aparência frágil, se precaver são posturas importantes não só para as pessoas com deficiência… mas, às vezes, a violência nos pega desprevenidos e nos leva os bens materiais, mas jamais os nossos projetos e nossos sonhos…

Em breve a Tina descolada sairá da situação de apuro e voltará mais valente/Valentina.

Aguardem!!!

* Por Marta Alencar, psicóloga clinica, fotografa e empreendedora social www.altaestima.org

Iedealizou a personagem Tina descolada –www.tinadescolada.com Assina a coluna: Tina descolada – agente de inclusão, publicada as terças feiras em http://www.tudobemserdiferente.com

** As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade da colunista.

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