Histórias de profissionais com deficiência física

De ambulante a bancário, deficiente

realiza sonhos por meio do trabalho

Leandro Catalini tem má formação nas pernas e mora em Piracicaba (SP).

Jovem, que também vende trufas em skate, quer se casar e abrir doceria.

Leandro a mulher de 19 anos e a filha de 3 anos em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Leandro Catalini, a mulher Ariele e a filha Akiza vivem em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Para o bancário Leandro de Assis Catalini, de 23 anos, a deficiência física nunca foi empecilho para o trabalho, cujo dia internacional é comemorado nesta quinta-feira (1). Ele nasceu com má formação congênita nas pernas e, após sustentar a família durante anos apenas como vendedor ambulante de trufas de chocolate em Piracicaba (SP), conseguiu emprego com carteira assinada no setor financeiro, onde pretende se dedicar e aproveitar as oportunidades de crescimento profissional oferecidas.

Nunca vi a minha deficiência
como dificuldade e tenho
certeza que isso me ajudou a
não me acomodar”
Leandro de Assis Catalini

Além do expediente no banco, onde atua no atendimento aos clientes no caixa, aos finais de semana ele continua a vender os bombons feitos pela esposa. E o faz em cima de um skate, também usado para a locomoção no dia a dia.

Catalini é conhecido dos frequentadores da Rua do Porto, local escolhido para oferecer o produto em razão da quantidade de visitantes e turistas que recebe. O dinheiro das trufas, segundo ele, é guardado em poupança para que dois sonhos do casal sejam alcançados: a abertura de uma doceria e o casamento na igreja.

“Eu nasci assim. Então, estou acostumado com a situação. Quanto tinha 13 anos, incentivado por amigos, comecei a me deslocar com o skate e nunca mais parei de usá-lo. Sem contar que a minha deficiência nunca me privou de nada. Sempre fui tratado como qualquer outra pessoa e tive liberdade para fazer o que quis”, afirmou.

Leandro superou a deficiência e trabalha com carteira registrada em Piracicaba (Foto: Fernanda Zanetti/G1)
Catalini superou a deficiência e trabalha com
carteira assinada (Foto: Fernanda Zanetti/G1)

Catalini disse que a limitação física não o impediu de buscar seus objetivos. “Nunca vi a minha deficiência como dificuldade e tenho certeza que isso me ajudou a não me acomodar. Aprendi que, desde pequeno, o homem tem que sobreviver daquilo que é gerado pelo suor do seu rosto. Como minha deficiência não me impede de trabalhar, nada mais justo que eu trabalhe e garanta o sustento da minha família.”

Em abril do ano passado, Catalini foi chamado para trabalhar na área administrativa do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, mas em novembro foi aprovado em processo seletivo e contratado por uma instituição bancária, que não permitiu que o G1 fotografasse o jovem dentro da agência onde atua.

A conquista do emprego foi um marco para a vida dele. “Mudou tudo. Tenho vários benefícios como vale-alimentação e convênio médio, sem contar que agora posso dar uma educação melhor para a minha filha. E ainda pude comprar roupas melhores para toda a família”, afirmou.

“Quero aproveitar a oportunidade que me deram no banco e fazer o meu melhor. Quero dar a oportunidade da minha filha fazer uma faculdade e realizar o sonho da minha esposa de montar uma doceria”, disse.

Outro sonho de Catalini é se casar na igreja com a esposa Ariele Catalini Souza, de 19 anos. O casal tem uma filha, Akiza Layanne dos Santos Catalini, de 3 anos. “Tudo o que estou vivendo faz parte de um grande sonho. Nunca me imaginei como bancário, mas foi uma conquista. Se puder dar um recado às pessoas, digo para que lutem e corram atrás dos seus ideais, sempre colocando Deus em primeiro lugar”, afirmou.

‘Companheira inseparável’
A venda de trufas faz parte da rotina do agora bancário há pelo menos seis anos. “Sempre vendi os doces, mesmo antes de ter um emprego registrado. Parei só por seis meses quando comecei a trabalhar no setor administrativo de uma empresa, mas fui mandado embora porque não consegui dispensa para participar de campeonato de basquete de cadeira de rodas. Também cheguei a trabalhar  como caixa de supermercado e orientador no Terminal Central de Integração, mas sem abandonar as trufas”, relatou o rapaz.

Leandro Catalini entra em restaurante de Piracicaba para vender trufas (Foto: Marco Guarizzo/G1)
Leandro Catalini entra em restaurante de Piracicaba para vender trufas (Foto: Marco Guarizzo/G1)
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