O que queremos para (e de) nossos filhos?  Mamãe Down Up, Ana Flávia Jacques

10489886_680546042033792_4619089304476449661_nSabe…eu estava pensando nessa história do garoto que perdeu o braço no zoológico de Cascavel (PR), ao tentar alcançar um tigre. E andei pensando, também, na notícia de um casal australiano que contratou uma moça tailandesa para ser barriga de aluguel e, ao descobrir que eram gêmeos e que um dos bebês tinha Síndrome de Down, resolveu largar o filho “diferente” para trás. O que essas notícias têm em comum? Acho que elas nos fazem refletir sobre o que queremos para os nossos filhos.
Quando se resolve dar a luz a uma vida, nós mães e pais nos tornamos totalmente responsáveis por aquele ser. É muito sério isso. Não quero julgar os motivos de o pai não ter tirado o garoto, nem que fosse a força, de perto de um animal selvagem. Mas pelos vídeos divulgados pela grande imprensa, percebi um menino inquieto, querendo chamar a atenção, sem limites. Não é fácil dizer “nãos” aos filhos, mas este é um papel fundamental da família: impor limites é amar.
A responsabilidade de colocar um ser que depende irrestritamente de nós no jogo da vida (até que virem adultos e se tornem independentes? Acho que não. Emocionalmente, pela ordem natural, todo filho sempre vai ser dependente), me faz pensar nas inúmeras famílias que não aceitam seus filhos com deficiência. “Admirável vocês amarem uma criança com tantas dificuldades”, ouvi de uma conhecida certa vez. “E por que não, minha cara? Quem disse que a minha filha é pior que as outras crianças? Quem disse que não vale a pena?” E lá vem o temido (pre) conceito. A cultura é cruel com nossos filhos. A falta de informação é tão forte que chega a elevar os números de interrupções de gravidez (aborto) em países em que a prática é permitida (e onde não é permitido também, infelizmente).
De acordo com a imprensa, foi o que desejou o casal australiano: que o bebê não viesse à vida. E já que veio, acharam que não valeria a pena, que poderia ser um fardo, como muitos ignorantes pensam. Mas o que eles querem do outro bebê sem a alteração genética? Uma vida perfeita, de comercial de margarina? Eles devem ter acreditado que deixando o filho “diferente” para trás estariam salvos das imperfeições da vida.
Desde quando a Maria Fernanda veio para mim, do jeitinho que ela é, eu ainda hoje me questiono: “E por que não? Qual o problema”? Outro dia, ao colocá-la no berço, eu senti o coração apertado e angustiado ao pensar no futuro. Mas querer o melhor para o filho não é a realidade dos pais que se preocupam com os filhos? O que quero para ela? Que vença todos os obstáculos e se torne uma “super down”, com os feitos estampados nas manchetes de jornais? Faremos o possível para que ela consiga muito, mas humildemente quero apenas que ela seja feliz…e com limites!
  Ana Flavia Jacques, jornalista e mãe de primeira viagem da Maria Fernanda, a Cerejinha Baby, uma linda e doce garotinha com síndrome de Down.
* Cerejinha Baby no Facebook: https://www.facebook.com/CerejinhaBaby?ref=hl
** As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.
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