16 anos da Associação dos Deficientes Auditivos Visuais e Deficientes Auditivos

ONG completa 16 anos de auxílio aos deficientes

Lugar onde muitos resgatam sua identidade e cultura, onde se entende e se é entendido. Neste mês, a Adavida (Associação dos Deficientes Auditivos Visuais e Deficientes Auditivos) completou 16 anos de auxílio a crianças e adultos com problemas visuais e auditivos. Fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos, entre outros, fazem parte do quadro de profissionais da ONG (Organização Não Governamental).

Criada por um grupo de mães de deficientes auditivos, a associação tinha como meta inicial ajudar no processo de aprendizagem exclusivamente das crianças. Hoje ainda trabalha para esse fim, mas também atua com elevação da autoestima, inserção no mercado de trabalho e desenvolvimento pessoal.

“Minha filha estava com uma depressão muito forte. Ouvi falar da associação e a trouxe há alguns anos. Depois de um tempo, ela se animou. Agora, fica ansiosa para passar com o pedagogo e a psicóloga”, disse a dona de casa Maria Divina Fernandes, 58 anos.

A obrigatoriedade do intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais), utilizada na comunicação com pessoas surdas, em sala de aula foi decretada em 2006 e, por causa da dificuldade de muitas escolas em se adequar à lei, vários alunos com deficiência não contam com a presença do profissional em sala de aula.

“A criança ou adolescente surdo muitas vezes chega aqui desmotivado. Na escola, não se comunica com outros alunos porque eles não sabem Libras. Além disso, muitos professores não estão preparados para lidar com o deficiente. Ele se sente rejeitado e estranho. Meu trabalho é ajudá-lo a lidar com isso”, disse a psicóloga da associação, Aurea Soares Mendes.

A falta de identificação com pessoas que são ouvintes e a vivência da própria cultura também são trabalhadas na Adavida. O pedagogo Bruno Ramos da Silva é deficiente auditivo e ajuda os surdos na alfabetização por meio da língua de sinais, além de estimulá-los a vivenciar o que é chamado de identidade ou cultura surda.

“Ajudo no entendimento de situações comuns que ocorrem no dia a dia. Além da alfabetização, que alguns precisam, outros trazem dúvidas, e assim é feito o trabalho de identificação com a cultura surda”, disse Silva.

“Trabalhamos não só a pessoa com deficiência, mas a família também. O surdo precisa primeiro se aceitar, e os familiares fazem parte desse processo. Às vezes, o deficiente vem aqui pedindo para ser encaminhado para o pedagogo e percebe que, na verdade, precisa passar também por um psicólogo. Com uma família que apoia, é sempre mais fácil esse processo”, disse a presidente da Adavida, Aparecida de Fátima Guimarães Negresiolo.

PROFISSIONAIS

A Adavida conta com intérprete de Libras, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, pedagogo, psicopedagogo, psicólogo, assistente social, além de realizar trabalho com empresas e oferecer cursos de Libras abertos à comunidade.

“Para passar pelos profissionais é necessário ter encaminhamento médico, da escola ou de algum outro profissional. A gente tem uma lista de espera e a família da pessoa que está procurando pelos nossos serviços passa por uma assistente social”, disse a fonoaudióloga e coordenadora da Adavida, Cristiane Calciolari.

A associação fica na Avenida Andrade Neves, 299, na Vila Alzira, em Santo André. O contato pode ser feito por meio do telefone 4509-4117, pelo site http://www.adavida.org.br e pela página no Facebook: Adavida Santo André.

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