UCB forma o primeiro mestre surdo no Programa de Mestrado em Educação

O professor Falk Soares Ramos Moreira é o primeiro mestre com surdez formado pela Universidade Católica de Brasília
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EsquerdaFotos: Faiara AssisDireita

Um momento que seria de avaliação se transformou em celebração. Na tarde de 15 de agosto, no Campus II, o prof. Falk Moreira defendeu sua dissertação de mestrado e com louvor, tornou-se o primeiro mestre em educação surdo, formado pela UCB. A defesa foi vista por familiares, amigos, estudantes e professores que fizeram questão de prestigiar a conclusão de um trabalho que começou em 2010, quando Falk tornou-se o primeiro estudante surdo do curso de mestrado em educação, na UCB.

A prof.ª Drª. Ranilce Mascarenhas Guimarães-Iosf, orientadora do Falk, acredita que a chegada do prof. Falk ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu de Educação da UCB iniciou o processo de inclusão e o mesmo será referência para outros mestrandos com qualquer tipo de deficiência. “O Falk abriu uma nova oportunidade dentro do Programa. Eu acredito que ele contribuiu para que o Programa da UCB se tornasse mais inclusivo e contribuiu para que todos os surdos do DF e do Brasil vejam que é possível entrar na Academia, permanecer e fazer trabalhos de qualidade, sendo surdo ou não. Não é a surdez que limita o seu potencial acadêmico, então, o Falk dá a voz a muitos que foram tidos como sem voz por anos na história desse país e, é por isso, que eu acredito que a pesquisa dele tem uma relevância educacional, social e política”, afirmou a Mascarenhas.

A pesquisa de Falk identificou o perfil de professores surdos na educação superior no DF. Para o prof. Dr. Wellington Ferreira de Jesus, membro da banca avaliadora, a pesquisa é uma contribuição para a inclusão do surdo não só regional, mas no âmbito nacional e mundial. “É muito significativo um trabalho que começa a pensar as experiências e histórias de vida de professores com deficiência auditiva, e esse trabalho se contextualiza e se desenvolve especialmente em termos das políticas de educação e das políticas públicas de inclusão, também. O prof. Falk materializa o trabalho dele enquanto profissional à vida dele. Ele está de parabéns! A própria Universidade, o Programa porque é pioneiro, e é dessa forma que nós temos que fazer com que a inclusão se desenvolva”, ressalta prof. Wellington.

Para Falk, a pesquisa foi um reflexo da sua própria experiência e uma forma de percepção das políticas públicas de inclusão. “Essa história não é só do sujeito é a minha também, dentro da educação na Universidade. As pessoas não acreditam, mas quando fazemos o relato de vários agentes, mostramos que é uma história de vida e ela coincide no que nós perdemos por obstáculos. Esse trabalho prova como é a história de vida de todos nós”, explica o mestre Falk.

O resultado de muita dedicação resultou na aprovação com louvor e, além disso, Falk foi convidado a ter sua pesquisa publicada em livro e convidado pela banca a dar um passo maior e seguir no programa de doutorado. “Eu percebi que a professora Ranilce e a banca me deram mais vontade de dar continuidade ao doutorado. Esse é um desafio que com certeza irei pensar e buscar”, almeja Falk.

Aos que acompanharam de perto, essa conquista é o reconhecimento da superação de quem defende a política de pessoas como ele. “É um momento muito gratificante é um sentimento de dever cumprido e felicidade que não cabe dentro de mim. Eu fui uma das incentivadoras do estudo dele, pois eu acho que é através do estudo que podemos dar continuidade, apesar das barreiras, mas ele esta alcançando seus objetivos. o êxito, o louvor é todo dele”, alegra-se Luciana Marques, esposa do Falk. “O Falk veio abrir uma barreira na área de educação a partir da igualdade. Como foi dito, aqui, o surdo não pode ser visto por essa equidade, precisa ser visto pela diferença. É isso que precisamos fazer”, complementa Patrícia Tuxi, amiga e intérprete durante o período de formação do Falk, no programa de mestrado.

Fátima Layane

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