Sobre Rodas nos 85 anos do Mercado Central, por Ricardo Albino

mercado 1Sabe aqueles dias em que a gente sai para dar um passeio e acaba ligando a anteninha jornalística, pois é! Foi exatamente o que aconteceu comigo na última quinta-feira, 4/9. Minha intenção inicial, ao aproveitar a companhia dos meus tios e minha mãe rumo ao Mercado Central, era assistir à exposição comemorativa de 85 anos de um dos pontos turísticos mais famosos de Belo Horizonte. Porem, por causa de uma escadaria e na condição de cadeirante não me foi possível chegar ao local pretendido.

Mas, mesmo assim, posso dizer que não perdi a viagem; comigo a pauta não se perde, se transforma. Numa de nossas paradas nas convidativas bancas daquela casa enquanto tomávamos uma gelada conheci alguns personagens e ouvi causos interessantes que com toda certeza fazem parte do movimentado cotidiano daquele lugar.

Entre essas figuras interessantes encontrei o Senhor Raul, mais ou menos 60 anos, que se diz frequentador do Mercado desde os tempos de menino. Acredito que deva ser um daqueles que toda semana dê uma passadinha por ali, pois em meia hora de papo interrompeu a conversa para cumprimentar vários amigos. Certa hora fui apresentado por ele a um senhor magro de cabelos grisalhos, da seguinte maneira – “ meu jovem, por acaso já ouviu falar desse moço, o Daniel Brasileiro? Ele viaja por aí de bicicleta com duas bandeiras ao seu lado; uma é a do Brasil e a outra a de Minas Gerais. É um rapaz consciente, se preocupa em não poluir o mundo onde vivemos.”

Pouco tempo depois uma moça morena muito simpática e sorridente nos para no corredor com o objetivo de apresentar o trabalho de uma instituição que trata de pessoas, como eu, com paralisia cerebral. Nesse momento, confirmei que na vida nada acontece por acaso e ninguém surge na vida do outro sem razão. A minha conversa com a Natalia alem de muito agradável, mostrou algumas coincidências e abriu novos caminhos que há algum tempo queria chegar e se Deus quiser, em futuro próximo, juntos, como voluntários, vamos seguir. Ela é formada na área de comunicação, sua vizinha de Bairro foi oradora da minha turma na nossa formatura de jornalismo e para completar a instituição que a Natalia nos apresentou é a mesma que minha tia aventou para que eu pudesse ser um voluntário “Contador de Histórias”.

Há poucos dias comentei com um amigo jornalista que a rua é uma novela em aberto; cada novo capítulo é uma busca constante pela novidade. No aniversário do Mercado Central não comi bolo, mas, sem dúvida alguma, ganhei um belo presente. Nada mais justo que de agora em diante cada nova etapa da minha novela, iniciada nos corredores do Mercado, seja dividida com vocês, caros leitores.

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Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente

ricjornalista@hotmail.com / http:// HYPERLINK “http://ricardo-albino.blogspot.com.br

Fotos de arquivo pessoal

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