Na gandaia sobre rodas, por Ricardo Albino

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Para tudo! Desculpem o atraso! Eu literalmente caí na gandaia sobre rodas. Levei a minha cadeira de rodas para curtir as coisas que a gente mais gosta de fazer na vida. Em três dias, demos um rolé básico pela cultura inclusiva através da arte, do esporte e da música.

Como eu disse para um casal de psicólogos que conheci no sábado, dia primeiro, durante o show do cantor Daniel, é a música que me deixa em pé. Canto todo dia, se possível, 24 horas. Até nos meus sonhos, estou sempre em companhia de amigos e familiares viajando, fazendo um som e conhecendo gente nova. Por isso, vou contar minhas ultimas aventuras de um jeito diferente, de trás para frente. Vou dividir minha crônica em partes ou seriam atos distintos como se fosse uma peça de teatro, baseada em fatos reais.

Como em todo bom roteiro, uma boa trilha sonora pode ser um ponto de partida. Para começar o mês de novembro animado escolhi gandaiar nos embalos do sertanejo. Fomos comemorar os 30 anos de carreira do moço de Brotas. Fiquei sabendo do evento por uma amiga na rede social e  combinamos de encontrar. Mas por pouco, nosso projeto não falhou. Enquanto não fui pessoalmente comprar meu ingresso e a moça da bilheteria não viu minha possante, meu direito a meia entrada garantido por lei, não foi assegurado. Um fato interessante é que já fui a outros shows e meus pais puderam comprar a minha entrada apresentando um documento com foto e o laudo médico comprovando que tenho deficiências física e visual. Em minha avaliação, entendo que o bom senso recomenda que a comprovação deva ser feita no momento da entrada no local.  Desconfio que ela queria,  mesmo, era ver meus belos olhos.

ala cadeirante

Brincadeiras à parte, deu tudo certo e lá fomos nós. Ao chegar, tive uma grande surpresa. No espaço reservado às pessoas com deficiência e acompanhantes, nas laterais do palco, nunca tinha visto tanta gente. Acredito que havia ali, mais ou menos, dez cadeiras de rodas. A felicidade era tanta naquele momento que se pudesse soltava foguete. Espero que de agora em diante, isso vire uma gostosa rotina em eventos públicos.

Como é bom cantar! Melhor ainda ver minha amiga cantando junto e realizar o sonho do seu idolo abraçar. Se eu fosse técnico do The Voice viraria a cadeira para o Daniel. O cara canta muito e é uma simpatia. No fim do show, liberou para que pudéssemos ficar em frente ao palco. ”Eu me amarrei”! “Me amarrei” em conhecer a linda fã que viajou da capital federal para em BH cantar e encantar. Bela Candanga que veio para cá se divertir e a fama das mulheres bonitas de Brasília, mais uma vez comprovar.

Antes de encerrar, volto ao casal de psicólogos que no inicio do texto cheguei a citar. Uma loira levantou-se de sua mesa e perto de mim ficou a cantarolar e bailar. De repente, o marido aproximou, perguntando se uma foto minha podia tirar. Minha alegria e capacidade de tantas letras de músicas decorar chamou a atenção daquele casal legal querendo me estudar. Disse ela que sou um exemplo e pediu se o meu rosto podia beijar. Prometeu conhecer o Blog e nossa coluna também visitar.

Inverti a ordem para contar emoções musicais que para sempre no coração vou guardar. Imagens e amizades que consolidei ao som do violão, da sanfona e do berrante, outras que mesmo estando distante, com as bênçãos de Deus, cantando e fazendo rima, pretendo levar a diante.

show

Ricardo Albino, jornalista, Coluna Sobre Rodas / Tudo Bem Ser Diferente

ricjornalista@hotmail.com / http:// HYPERLINK “http://ricardo-albino.blogspot.com.br

Fotos de arquivo pessoal

As opiniões aqui publicadas são de responsabilidade do colunista.

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