A São Fashion Week é inclusiva? Ser diferente é fashion, por Mariana Silva

Mai no SPFW

Ser Diferente é Fashion no São Paulo Fashion Week

Ei gente, como vão vocês? Eu de cá estou ótima, levando a vida só na sapatilha porque salto alta cansa as pernas…. Hoje vou contar pra vocês como foi minha aventura no São Paulo Fashion Week, já que estive na semana de moda mais importante da América latina na última sexta-fera, 7 de novembro e, cá entre nós, me senti muito importante por isso.

Fui assistir ao desfile da marca mineira Apartamento 03. Consegui o convite por intermédio de uma amiga e fiquei muito feliz por isso. Me desloquei para São Paulo de ônibus mas, confesso, vou pular essa parte porque não é nada glamourosa, então vamos logo ao que interessa. Minha gente, quando coloquei meus pezinhos no local do evento, fiquei emocionada.

Preciso dizer que trabalhar com moda não é fácil. E, quando você é uma pessoa diferente, com limitações visíveis e capacidades subestimadas, a situação fica ainda mais complicada. Por isso me senti imensamente vitoriosa em estar lá, no meio de todo aquele povo importante “das modas”. É uma conquista, uma vitória mesmo.

Gostaria muito que outras pessoas com deficiência pudessem ver as coisas que vi. Mas receio que isso pode ser um tanto difícil já que a estrutura do evento não me pareceu muito preparada para isso. Na entrada, vi logo uma escada e não achei nenhuma rampa. Só depois que me atentei mais consegui enxergar uma rampa ao lado dessa escadaria. Porém ela estava mesmo escondida, nem um pouco sinalizada.

Haviam banheiros especiais para cadeirantes mas os acessos só eram feitos por escadas, ou seja, não adiantou de nada. Nas salas de desfiles, nada de corrimões para pessoas com locomoção reduzida, meu caso. Quase tive que escalar a arquibancada pra chegar ao meu lugar. Me senti bem desconfortável com isso.

Também não vi nenhuma marcação em braile para os amigos cegos ou qualquer adaptação para os colegas surdos. É como se o evento não esperasse que pessoas diferentes comparecessem. Na verdade, a não ser que o evento de moda seja voltado para a inclusão, esse tipo de festa nunca espera que pessoas deficientes apareçam. Tenho aqui algumas teorias para isso, mas deixarei para outro dia porque a conversa já está bem longa.

Quanto ao desfile que assisti, do Apartamento 03, foi a coisa mais linda. Quando as luzes se apagaram na sala me senti em uma atmosfera mágica, coisa que só a moda faz por você. Então digo que, apesar dos pesares, foi linda, mágica, recompensadora e estimulante meu comparecimento no São Paulo Fashion Week. Tomara que isso aconteça mais vezes!

ap 03

*Mariana Silva (Idealizadora do Blog http://naoesobremoda.wordpress.com, é colaboradora de www.tudobemserdiferente.com. Jornalista, 25 anos, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais. Para ela, moda é uma futilidade necessária e um fenômeno sociológico interessantíssimo; “o legal é quando fazemos a moda trabalhar a nosso favor, ficar dependente dela não faz bem”). Tem displasia Óssea, síndrome que afeta o crescimento e a resistência dos ossos de todo o corpo. Escreve Ser diferente é fashion para www.tudobemserdiferente.com toda quinta-feira.

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