MANEJO COMPORTAMENTAL EM SALA DE AULA, por Cristina Silveira

cristina 2Já lidei com varias dificuldades de inclusão escolar  e sempre constato que as escolas ainda tem muito o que aprender. Buscando amenizar esse problema, uma das indicações que fazemos às famílias é a busca por escolas de pequeno porte, com poucos alunos nas salas de aula, para facilitar o manejo das necessidades de adaptação de conteúdo pedagógico  e cuidados comportamentais que o aluno pode precisar no ambiente escolar. No entanto, nem sempre acertamos nesse quesito. E porque não?  Porque uma escola com menos alunos não consegue ser mais atuante e mais atenta, principalmente  quando se trata de manejo comportamental em sala de aula?  A resposta é simples: falta de conhecimento. Sem estratégias de manejo, a situação pode ficar insustentável e fugir do controle da professora de sala.

Pois bem, se a sua situação é essa, se prepare para tomar algumas medidas. A primeira atitude é acionar a orientação pedagógica e psicológica da escola. Coloque o problema e solicite uma intervenção pontual. Estabeleça prazos, metas  e remarque nova reunião sobre o assunto.  Reforce para a escola a importância do treinamento dos professores para lidar com as crianças especiais em situações de ansiedade, principalmente os autistas.  Mostre ao corpo diretivo que você está atenta e vigilante em relação ao assunto. Tenha o cuidado de solicitar a cópia da ata das reuniões com os responsáveis da escola.

A segunda medida é solicitar a interferência do psicólogo comportamental e do psicopedagogo de seu filho na escola. Esses profissionais tem conhecimento e treinamento para lidar com situações de conflito e podem orientar os profissionais da escola como agir nesses casos. Busque ainda apoio de outros pais de crianças da mesma turma. Procure ouvi-los e colocá-los a par da situação, para que fiquem também vigilantes em relação às medidas a serem tomadas. .

Em terceiro lugar, mantenha-se mais próxima a seu filho nesse período. Observe suas reações, seu comportamento e qualquer mudança, volte a escola imediatamente.

E se nada acontecer, ou seja, se não surtir efeitos de melhora, acione a defensoria pública ou o ministério público.

Abaixo listo algumas dicas de manejo em sala de aula, retirados do “Guia de orientação a professores – Manejo comportamental de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo em condição de inclusão escolar”  (http://memnon.com.br/proesp2/assets/proesp2.pdf). Na minha opinião essas regras podem ser usadas e adaptadas não apenas para alunos autistas mas também para aqueles que têm outras necessidades específicas e/ou necessidade de manejo de comportamento.

– Devem-se reforçar positivamente os comportamentos adequados e NÃO se devem reforçar os comportamentos inadequados. Quando ocorrer um comportamento inadequado, deve-se ensinar o comportamento adequado que é esperado. Repete-se o ensino todas as vezes que sejam necessárias e controla-se o ambiente para evitar que eventos do ambiente determinem, propiciem ou favoreçam a emissão de problemas de comportamento ou comportamentos inadequados.

– As recompensas só devem ser dadas à criança se ela apresentar um comportamento adequado, pois ela poderá aprender que não precisa respeitar e cumprir a instrução / regra dada pelo professor porque, mesmo assim, haverá uma consequência positiva.- Deve-se prestar atenção para o tipo de estímulo que a criança gosta ou prefere para usá-lo como reforçador.

– reconhecer um comportamento e entender o que acontece antes e depois. O que acontece depois, a consequência, pode ser reforçadora ou não.

– Uso de instruções claras, diretas e simples para cada tarefa orientada

– Uso de estímulos visuais para o estabelecimento de rotina e instruções

– Ensino de comportamentos de obediência a regras

– Ensino de comportamentos de solicitação

– Estímulo ao desenvolvimento da autonomia e da independência

– Controle de estímulos antecedentes e conseqüentes para facilitar a emissão de comportamentos adequados

– Uso de avaliação da funcionalidade do comportamento

– Utilização de reforçamento positivo para modificação de comportamento

– Alunos com TEA que têm deficiência intelectual precisam de currículos adaptados (sobrepostos)

– Fragmente a instrução ou informação em partes menores para aumentar a atenção.

– Use estratégias visuais para ajudar a criança a obter atenção e entendimento.

– Ensine como usar os olhos e o corpo para ouvir.

– Estimule o aluno a entender o conceito de se colocar no lugar do outro e estimule-o a se colocar no lugar dos coleguinhas.

– Ensine uma resposta clara de iniciação.

– Recompense sucessos.

– Ajude o aluno a ter acesso a novas informações e a novos comportamentos.

– Demonstre para a criança que, quando ela diz uma palavra inteira (ou frase, a depender da criança), de forma clara, ela consegue mais rapidamente o que quer do que quando faz gestos ou diz outras palavras não relacionadas ao que quer.

– Combine o interesse da criança com a atividade. Faça cartazes com o nome, desenhos e/ou figura das atividades; deixe a criança escolher qual ela quer realizar ou a ajude na escolha; realizem a atividade juntos. Quando a criança estiver motivada, tente fazê-la dizer a palavra.

Fica a dica!

Cristina Silveira 

Psicopedagoga, Psicanalista e especialista em educação inclusiva. 

(031) 36588830

cristinabms@gmail.com

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